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Eleições 2026: o que Romeu Zema e Ronaldo Caiado propõem para o agro

Eleições 2026: o que Romeu Zema e Ronaldo Caiado propõem para o agro


Fotos: TSE

Com a aproximação das eleições de 2026, o Canal Rural consulta os planos de governo dos seis candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República para identificar as principais propostas voltadas ao agronegócio.

Em ordem alfabética, a série começou na quarta-feira (2) com os planos de governo de Augusto Cury (Avante) e Flávio Bolsonaro (PL). Na quinta-feira (3), foi a vez de conhecer as propostas de Luiz Inácio Lula da Silva, da coligação O Brasil Pronto para Mais, formada por PSB, PDT, Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e Federação PSOL-Rede, e de Renan Santos (Missão). E nesta sexta-feira (4) será a vez dos candidatos Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).

Segundo a legislação eleitoral brasileira, a apresentação de um plano de governo é uma exigência para o registro de candidaturas aos cargos do Poder Executivo, como presidente, governador e prefeito, na Justiça Eleitoral. O documento, entretanto, não cria obrigação jurídica de cumprimento das propostas nem prevê perda de mandato em caso de descumprimento.

Romeu Zema

Em seu plano de governo, intitulado “Plano Implacável: propostas concretas para os maiores problemas do país”, o candidato à Presidência da República Romeu Zema dedica quatro páginas às propostas para o agronegócio.

Zema inicia o capítulo destacando os avanços registrados pelo setor nos últimos 27 anos, mas sustenta que esse desenvolvimento ocorreu apesar da atuação do Estado. O documento aponta como obstáculos à expansão do agro problemas de infraestrutura e logística, excesso de burocracia e dificuldades relacionadas ao ambiente de negócios.

A partir desse diagnóstico, o plano organiza as propostas em quatro grandes eixos: aumento da produtividade da agroindústria, proteção da renda do produtor, aproximação entre agronegócio e meio ambiente e defesa da propriedade rural.

Fertilizantes, tecnologia e infraestrutura

Para elevar a produtividade, Zema propõe facilitar tanto a produção nacional quanto a importação de fertilizantes e defensivos agrícolas. Entre as medidas estão maior abertura à concorrência, facilitação das importações e redução de entraves a projetos minerais nacionais, com o objetivo de diminuir a dependência externa de insumos.

Na área de inovação, o candidato defende ampliar a participação de capital privado e internacional em pesquisa e desenvolvimento no campo, conectar centros de pesquisa brasileiros a instituições internacionais, expandir a banda larga e o 5G nas áreas rurais e reorientar a Embrapa para a inovação aplicada.

O plano também propõe ampliar rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e a capacidade de armazenagem de grãos por meio de parcerias com o setor privado. Segundo o documento, as medidas buscariam reduzir o custo do frete e transformar os ganhos de produtividade do campo em maior competitividade internacional.

Licenciamento ambiental e assistência técnica

Outro ponto do programa é a redução de entraves relacionados ao licenciamento ambiental. Zema propõe implementar a Nova Lei do Licenciamento Ambiental com prazos definidos e critérios técnicos, diferenciando as exigências conforme o grau de impacto das atividades e simplificando procedimentos para aquelas consideradas de baixo risco.

Para pequenos e médios produtores, o plano prevê ampliar o acesso à tecnologia e à assistência técnica. Uma das propostas é condicionar repasses às Empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ematers) ao cumprimento de metas de produtividade.

Seguro rural e irrigação

Na proteção da renda, o candidato defende estimular o mercado de seguro rural. A proposta prevê a criação de um fundo privado, abastecido por recursos públicos e privados, para cobrir perdas provocadas por eventos climáticos, pragas e oscilações de mercado.

Zema também propõe acelerar a construção de barragens e sistemas de irrigação em parceria com o setor privado. O objetivo apresentado no documento é ampliar a disponibilidade de água, reduzir as perdas provocadas pelas secas e garantir que pequenos e médios produtores também tenham acesso às estruturas.

Biocombustíveis e abertura de mercados

Na agenda ambiental, o plano propõe posicionar o Brasil como protagonista mundial na produção e exportação de biocombustíveis, além de utilizar a agenda de sustentabilidade para ampliar mercados e atrair investimentos.

O candidato também pretende fortalecer internacionalmente a imagem do agronegócio brasileiro, destacando aspectos como produtividade, sustentabilidade, rastreabilidade e tecnologias desenvolvidas no país.

Na política comercial, Zema propõe abrir novos mercados e reduzir barreiras às exportações brasileiras.

Armas, propriedade rural e segurança jurídica

Um dos eixos específicos do programa trata da defesa da propriedade rural. Zema propõe garantir o porte de armas em toda a extensão das propriedades rurais, ampliando o direito atualmente previsto para produtores.

O documento também promete combater o que classifica como “ativismo judicial” e garantir o cumprimento do Código Florestal sem a imposição de novas restrições sem base técnica ou compensação econômica.

Completam esse eixo propostas para acelerar a regularização de títulos de propriedades rurais e intensificar o combate à grilagem e à atuação do crime organizado no campo, inclusive com o uso de sensoriamento remoto por satélite.

Clique aqui para conferir na íntegra o plano de governo de Zema.

Ronaldo Caiado

Ronaldo Caiado dedica três páginas de seu plano de governo às propostas para o agronegócio. O documento parte da avaliação de que o Brasil reúne condições para exercer liderança internacional simultaneamente na segurança alimentar, na transição energética e na produção sustentável.

Segundo o plano, no entanto, esse potencial ainda é explorado de maneira fragmentada, devido à falta de integração entre políticas de agricultura, energia, ciência, meio ambiente, infraestrutura, indústria e comércio exterior.

O diagnóstico também aponta problemas enfrentados pelos produtores fora das propriedades, como crédito instável, seguro rural insuficiente, logística cara, dependência de fertilizantes importados e insegurança jurídica.

A partir desse cenário, Caiado apresenta 12 propostas para o setor entre 2027 e 2030.

Produção, tecnologia e biocompetitividade

Uma das principais propostas é adotar a chamada biocompetitividade como estratégia nacional, integrando produção de alimentos, bioenergia, biotecnologia, ciência e sustentabilidade em uma política de longo prazo.

O candidato propõe criar estratégias de dez anos para proteínas, grãos, biocombustíveis e bioinsumos, além de promover internacionalmente os produtos brasileiros por meio de uma marca-país.

Caiado também defende aumentar a produção agropecuária nas áreas já abertas, com recuperação de pastagens degradadas e expansão dos sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

O plano prevê o uso de satélites, inteligência artificial e extensão rural digital para melhorar o uso do solo e aumentar a produtividade. Também estabelece a intenção de definir metas de conectividade rural até 2030 e apoiar a modernização de máquinas e implementos agrícolas.

Bioenergia

Outra frente é transformar o agronegócio em parte da infraestrutura energética estratégica do país.

Para isso, Caiado propõe um Plano Decenal de Bioenergia que integre etanol, biodiesel, biometano e bioeletricidade. O programa também prevê ampliar a produção de combustíveis de baixa emissão, incluindo combustível sustentável de aviação, combustíveis marítimos e hidrogênio de baixa emissão.

Plano Safra de cinco anos e seguro rural

No financiamento, uma das principais propostas é a criação de um Plano Safra plurianual, com horizonte de cinco anos, para dar maior previsibilidade ao produtor.

O plano também prevê direcionar recursos públicos prioritariamente para garantias, seguro rural, redução de riscos e investimentos em irrigação e armazenagem, além de criar um fundo garantidor para ampliar o crédito agrícola privado.

Caiado também propõe ampliar a participação do mercado de capitais no financiamento do setor, fortalecendo instrumentos como Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), Fiagro, debêntures, securitização e Cédula de Produto Rural (CPR). O documento ressalta, porém, que esses mecanismos seriam complementares ao crédito oficial.

Para o seguro rural, o candidato defende a criação de um sistema nacional com participação pública e privada e vinculado à política de crédito. Entre as propostas estão seguros paramétricos baseados em índices e monitoramento por satélite, resseguro para eventos climáticos extremos, incorporação do seguro de renda e reestruturação do Fundo de Catástrofe.

Ferrovias, rodovias e armazenagem

Na infraestrutura, Caiado propõe organizar ferrovias, hidrovias, rodovias, portos e armazenagem em corredores logísticos estratégicos.

O programa prevê um planejamento de dez anos para a logística do agronegócio e cita como prioridades obras como Ferrogrão, Ferrovia Norte-Sul, Fiol, Malha Norte e BR-163, além das hidrovias das regiões Centro-Oeste e Norte.

Fertilizantes e Embrapa

Para reduzir a dependência brasileira de insumos importados, o candidato promete executar o Plano Nacional de Fertilizantes, ampliar a produção doméstica de potássio e nitrogenados e diversificar os fornecedores internacionais.

Também propõe um programa nacional de bioinsumos e incentivos à instalação, modernização e expansão de fábricas de defensivos, além do estímulo à produção nacional de ingredientes ativos considerados estratégicos.

Para a Embrapa, Caiado promete planejamento plurianual e estabilidade de recursos. O programa ainda prevê criar um Programa Nacional de Biotecnologia Tropical e centros de excelência em inteligência artificial aplicada ao agro, além de modernizar regras relacionadas à edição genética e às técnicas de melhoramento.

Sustentabilidade e defesa sanitária

Na área ambiental, Caiado propõe concluir a validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), implantar um sistema nacional de rastreabilidade da propriedade ao consumidor, criar o Selo Brasil Sustentável e ampliar o pagamento por serviços ambientais.

Outra proposta é estabelecer uma certificação brasileira para créditos de carbono.

O programa também prevê reforçar a defesa agropecuária, integrar sistemas de rastreabilidade animal e vegetal, ampliar a rede de laboratórios e utilizar inteligência artificial e monitoramento em tempo real na vigilância epidemiológica.

Abertura de mercados e segurança jurídica

Na política comercial, Caiado propõe diversificar as exportações brasileiras para o Sudeste Asiático, Oriente Médio, África e mercados de maior valor agregado.

Para isso, promete reforçar a atuação dos adidos agrícolas e ampliar acordos comerciais, sanitários e fitossanitários.

O plano também prevê dar estabilidade ao Código Florestal, avançar na regularização fundiária, simplificar o licenciamento de atividades consideradas de baixo impacto e criar mecanismos para solucionar conflitos territoriais por meio de mediação, “convivência produtiva” e indenização quando considerada devida.

Clique aqui para conferir na íntegra o plano de governo de Caiado.

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