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Alimentos pesam na primeira deflação do ano; economista avalia até quando

Alimentos pesam na primeira deflação do ano; economista avalia até quando


Em meio ao tarifaço dos Estados Unidos, o preço dos alimentos registrou queda pelo terceiro mês consecutivo. A divulgação feita nesta quarta-feira (10), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O café, um dos itens mais afetados pelas sobretaxas, caiu 2,17% em agosto.

Na avaliação de Caio Augusto Rodrigues, economista e sócio da consultoria Terraço Econômico, o movimento ocorre porque estão sobrando produtos no mercado interno. Por consequência, muitos dos setores ainda não conseguiram alinhar novos compradores diante das sanções do governo norte-americano.

Queda dos alimentos não deve se manter

Rodrigues lembra que a capacidade do Brasil em abrir novos mercados pode fazer com que a normalização dos preços desses itens exportados ocorra em, no máximo, seis meses. Ou seja, o recuo observado em agosto pode se manter por mais algum tempo, mas não deve passar disso.

“A não ser que algo grave aconteça, como algum conflito nas regiões para onde esses produtos estão começando a ir, a queda dos alimentos deve cessar logo no começo de 2026”, argumenta.

O economista reforça que, enquanto não houver um acordo formal com os Estados Unidos, esse desvio temporário de produtos para outros mercados deve continuar segurando os preços. Ele alerta, porém, que assim que a situação for normalizada parte desses produtos voltará ao fluxo habitual de exportações. Com isso, os efeitos de contenção de preços no mercado interno tendem a desaparecer.

Primeira deflação em um ano: o que isso significa?

O recuo dos alimentos, que contribuiu para a variação negativa de 0,11% do índice que mede a inflação oficial do país (IPCA), marca a primeira deflação registrada em 2025. Rodrigues explica que apesar de ser importante, esse dado isolado não conta toda a trajetória da inflação até agora.

“No caso de agosto, o que puxou a conta para baixo foram transporte, alimentação e habitação. Dentro de habitação, o maior impacto veio dos descontos na conta de luz, algo mais ligado ao sistema do que a preços de mercado na ponta final”, afirma.

Sobre a trajetória inflacionária daqui para frente, o economista ressalta que o movimento vai depender da interação entre juros altos e atividade econômica. Embora os efeitos já tenham começado a ser sentidos, a expectativa é que apareçam de forma mais consistente apenas em 2026.

“Os juros estão cumprindo o papel de frear a economia e, por consequência, a inflação. Mas isso acontece com atraso e ainda não dá segurança para o Banco Central relaxar. Até lá, será preciso observar como esse arrefecimento impacta no mercado de trabalho e se de fato ajuda a trazer a inflação para dentro da meta”, conclui.



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