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‘Brasil precisa melhorar a narrativa da pecuária’, afirma presidente do conselho da Abiec

‘Brasil precisa melhorar a narrativa da pecuária’, afirma presidente do conselho da Abiec


Renato Costa é presidente da Friboi e do conselho da Abiec. Foto: Junner Schmidt

O debate sobre rastreabilidade, exigências ambientais e acesso a mercados internacionais passa, antes de tudo, por uma melhor comunicação sobre a realidade da produção brasileira.

A avaliação é de Renato Costa, presidente da Friboi e do conselho da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), durante participação no Fórum Internacional da Agropecuária (Fiap) 2026, realizado nesta quinta-feira (18), em Campo Grande (MS).

Segundo ele, muitos dos questionamentos feitos por países importadores ignoram avanços já consolidados na pecuária nacional e acabam tratando situações pontuais como se fossem a regra de toda a cadeia produtiva.

“Tem confiança que o que nós produzimos é o de melhor que tem. Tem alguma não conformidade? Exceção. Agora, tratar exceção como regra também é um desafio”, afirmou.

Costa destacou que o Brasil possui sistemas de controle e monitoramento da produção animal há décadas, embora nem sempre eles sejam compreendidos pelos mercados compradores. Um dos exemplos citados foi a rastreabilidade do rebanho.

De acordo com ele, o país realiza rastreabilidade por lotes desde a implementação da Guia de Trânsito Animal (GTA), mecanismo que permitiu avanços importantes para a defesa sanitária e para a abertura de mercados.

O executivo argumentou que comparar a realidade brasileira à de países com rebanhos muito menores não é adequado. Segundo ele, a adoção de sistemas individuais enfrenta desafios operacionais diferentes em um país que abriga o maior rebanho comercial do mundo.

Costa também observou que, mesmo dentro das indústrias frigoríficas, a rastreabilidade individual deixa de existir após determinadas etapas do processamento, passando a ser realizada por lotes.

Imagem da pecuária brasileira

Outro ponto levantado pelo presidente da Friboi foi a necessidade de reforçar a narrativa sobre os avanços ambientais da agropecuária nacional.

Na avaliação dele, o Brasil precisa comunicar melhor os resultados alcançados em preservação ambiental, cumprimento da legislação e produção sustentável.

“Brasil produz bem, produz com responsabilidade. O Código Florestal é o mais moderno e mais rígido do mundo”, afirmou.

Costa lembrou ainda que grande parte do território nacional permanece preservada e que o país reúne condições únicas para ampliar a produção de alimentos sem abrir mão da conservação ambiental.

“Temos que melhorar a narrativa de tudo que o Brasil faz bem”, reforçou.

Segurança alimentar e novos mercados

O executivo também citou a segurança alimentar como um dos temas centrais das discussões globais e afirmou que o Brasil tem papel estratégico para atender à crescente demanda mundial por alimentos.

Segundo ele, a Abiec atua em conjunto com órgãos do governo federal para defender os interesses da cadeia da carne bovina e ampliar o acesso aos mercados internacionais.

Entre os desafios atuais estão as medidas de proteção adotadas por diferentes países, incluindo as discussões envolvendo a China, a União Europeia e os Estados Unidos.

“O papel da Abiec é levar essas questões aonde for necessário, mostrando o que o país tem de melhor”, disse.

Ganhos de produtividade

Ao abordar as perspectivas para o setor pecuário, Costa afirmou que o principal potencial de crescimento está no aumento da produtividade dentro das áreas já utilizadas.

Ele destacou os avanços em genética e nutrição animal como fatores capazes de elevar significativamente a rentabilidade das propriedades.

Segundo o executivo, melhorias genéticas podem acrescentar entre duas e cinco arrobas por animal, enquanto o aumento da oferta de insumos como o DDG tende a ampliar o acesso dos produtores a dietas de maior qualidade e custo competitivo.

Para ele, o fortalecimento da integração entre pecuaristas e frigoríficos será fundamental para sustentar esse crescimento.

“Frigorífico não tem boi, assim como pecuarista não tem frigorífico. A gente tem que trabalhar junto na cadeia em prol de um objetivo comum”, concluiu.

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