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Especialistas defendem revisão da política de preços de medicamentos em debate na Câmara

Especialistas defendem revisão da política de preços de medicamentos em debate na Câmara


Especialistas ouvidos pela Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, nesta quinta-feira (14), defenderam mudanças na política de preços de medicamentos no Brasil. O debate tratou da diferença entre o preço máximo autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e os valores efetivamente praticados nas farmácias, além dos efeitos da tributação, das compras públicas e da produção nacional sobre o mercado.

Pelas regras atuais, definidas pela Lei 10.742/03, a CMED fixa tetos de preços com reajuste anual baseado em inflação, produtividade, custos de produção e concorrência. As farmácias podem vender abaixo desse limite, mas não acima.

Na audiência, a coordenadora de Propriedade Intelectual da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids, Susana Van Der Ploeg, afirmou que os preços-teto estão descolados da realidade do mercado. Segundo ela, o Brasil chega a pagar até 600% a mais por medicamentos contra o HIV em comparação com países vizinhos. A representante também defendeu a aprovação do Projeto de Lei 5591/20, que prevê revisão periódica dos tetos e reforço da capacidade regulatória da CMED.

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Marina Paulelli, do Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), disse que o modelo atual não impede aumentos bruscos e criticou descontos condicionados ao fornecimento de CPF, prática que, segundo ela, contraria a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Helaine Capucho, diretora de Acesso ao Mercado da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), discordou das críticas à indústria. Ela afirmou que o Brasil usa o menor preço de uma cesta internacional como referência e destacou que os tributos podem representar até 45% do valor final do medicamento.

No campo das compras públicas, Luiz Henrique Costa, coordenador-geral de Assistência Farmacêutica e Medicamentos Estratégicos do Ministério da Saúde, informou que mais de 53% das aquisições são feitas em laboratórios privados, que recebem 61% do orçamento. Já os laboratórios públicos respondem por quase 40% do estoque e por cerca de 26% dos recursos.

A diretora do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), Silvia Pereira Santos, afirmou que a produção pública pode reduzir preços e ampliar o acesso. Ela citou o tacrolimo, hoje com produção 100% nacional e redução de até 70% no preço. Já o secretário executivo substituto da CMED, Frederico Mocha, informou que a Resolução 3/25 entra em vigor no fim de maio, ampliando de 9 para 14 os países de referência para precificação e abrindo discussão sobre revisões extraordinárias de preços.

Fonte: camara.leg.br

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