USD: R$ -- EUR: R$ -- BTC: R$ -- USD: R$ -- EUR: R$ -- BTC: R$ --
Navegando:
Como guerras e crises moldaram o preço das commodities nos últimos 120 anos

Como guerras e crises moldaram o preço das commodities nos últimos 120 anos


Ao longo dos últimos 120 anos, os preços das commodities agrícolas viveram uma verdadeira montanha-russa. Muito além das variáveis climáticas e safras abundantes ou frustradas, foram os grandes eventos históricos — guerras, colapsos financeiros e transformações geopolíticas — os principais responsáveis por sacudir esses mercados (veja detalhes no gráfico abaixo).

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) provocou escassez de alimentos na Europa e impulsionou os preços agrícolas, especialmente nos países exportadores como os Estados Unidos, o Canadá e a Argentina. O Brasil se beneficiou com o café, mas o fim da guerra trouxe uma forte retração da demanda.

A Crise de 1929, com o colapso da Bolsa de Nova York, mergulhou o mundo em uma depressão. Os preços das commodities agrícolas despencaram. O café brasileiro, por exemplo, foi estocado e até queimado para conter a superoferta.

gráfico flutuação commodities agrícolas
Foto: Elaboração própria

A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) novamente elevou a demanda por alimentos e fibras. O trigo e o algodão dispararam, impulsionados pela logística militar. Mas no pós-guerra, a reconstrução europeia e o Plano Marshall reordenaram os fluxos comerciais, favorecendo a mecanização agrícola e o aumento da oferta global.

Os anos 1970 marcaram outro período de volatilidade. O choque do petróleo de 1973 gerou inflação global e levou investidores a buscar refúgio nas commodities. A crise do trigo e do açúcar marcou a década, com países estocando alimentos por segurança.

A década de 2000 trouxe uma nova dinâmica: a ascensão da China e da Índia no consumo global. A soja virou protagonista, impulsionada pela demanda asiática por ração animal. Crises como a de 2008 (subprime) e, mais recentemente, a pandemia da Covid-19 e a Guerra da Ucrânia, também tiveram efeitos explosivos: interrupção de cadeias logísticas, pânico nos mercados e novos picos de preços.

O fator especulação financeira ganhou força nas últimas décadas. A entrada de fundos de investimento e algoritmos de alta frequência nas bolsas de commodities aumentaram a sensibilidade dos preços a notícias macroeconômicas, como decisões de juros nos Estados Unidos ou tensões entre potências.

E o futuro?

Um novo risco sistêmico começa a ganhar corpo: a possível perda da hegemonia econômica dos Estados Unidos e do dólar como moeda central do comércio global. Se confirmada, essa transição pode abalar profundamente o sistema de precificação das commodities.

Uma multipolaridade monetária — com yuan, euro ou moedas digitais soberanas disputando espaço — traria incertezas cambiais, fragmentação de mercados e enfraquecimento das bolsas americanas como referência global.

Em outras palavras: um cenário de alta volatilidade, menos previsibilidade e mais riscos para produtores e investidores.

É importante destacar que o comportamento das commodities agrícolas é um espelho do mundo: reflete não apenas o clima nos campos, mas, sobretudo, os humores da geopolítica e das finanças globais.

E, agora, diante da instabilidade do império que moldou essas regras por mais de um século, o mercado agrícola poderá enfrentar sua maior prova: sobreviver ao fim da era do dólar como âncora.

Miguel DaoudMiguel Daoud

Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



Source link

Assine nossa Newsletter

Sinta-se no campo com as notícias mais atualizadas sobre o universo do agronegócio.

Sem spam, você pode cancelar a qualquer momento.


Notícias Relacionadas

Gestão inteligente de combustíveis reduz perdas e amplia controle operacional nas fazendas

Cleber Barbosa, da Redação O agronegócio brasileiro deve movimentar cerca de R$ 1,37 trilhão em 2026, segundo projeção do Ministério da Agricultura e Pecuária para o Valor Bruto da Produção (VBP). Desse total, aproximadamente R$ 895 bilhões devem vir das lavouras. Em um setor dessa dimensão, cada item de custo impacta diretamente a rentabilidade, incluindo o diesel, que está entre os principais componentes das despesas operacionais nas propriedades altamente mecanizadas. Em fazendas de médio e grande porte, os gastos com combustível, lubrificantes, manutenção e operação de máquinas podem alcançar cifras milionárias ao longo de uma safra. Diante desse cenário, controlar o consumo de combustível deixa de ser

Franquia: Belgo Cercas inaugura sua primeira loja em Macapá

Cleber Barbosa, da Redação A Belgo Arames inaugurou nesta quarta-feira (25) uma loja da Belgo Cercas em Macapá, a primeira do estado, ampliando a presença da franquia especializada em cercamentos urbanos na região Norte do país. A unidade está localizada na Rua Claudomiro de Moraes, 1399, no Conjunto Laurindo Bahia, no bairro Novo Buritizal. Na loja física, serão disponibilizados mais de 200 produtos, como gradis, arames, alambrados, telas e portões sob medida. A unidade atenderá clientes da construção civil, indústrias, produtores rurais e consumidores do varejo, com foco em soluções completas para cercamentos. Além dos produtos, a Belgo Cercas oferece consultoria especializada para avaliação e

Mel produzido no Amapá ganha força como símbolo de qualidade e resistência

Da Redação No coração da Amazônia amapaense, entre áreas de floresta preservada e comunidades rurais que resistem com trabalho, tradição e esperança, a produção de mel vive um novo tempo, mais produtivo, mais organizado e, sobretudo, mais humano. Com incentivo do Governo do Amapá, nos municípios de Porto Grande e Itaubal, agricultores ligados à cooperativa Coopermel Amapá experimentam uma transformação concreta que vai além da técnica, promovendo uma verdadeira mudança de vida. O ponto de virada começou com a chegada de kits de produção, compostos por equipamentos modernos para o manejo das colmeias, extração e armazenamento do mel. O que antes era feito de forma

CNJ convida tribunais a divulgarem boas práticas de regularização fundiária

Cleber Barbosa, da Redação O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio da Corregedoria Nacional de Justiça, lançou o Prêmio Solo Seguro 2025/2026, iniciativa que busca reconhecer e incentivar boas práticas voltadas à regularização fundiária urbana e rural em todo o país. As inscrições para o Prêmio Solo Seguro 2025/2026 seguem abertas até 31 de março de 2026. O Tribunal de Justiça do Amapá (Tjap) confirmou a adesão da Corte Estadual no prêmio instituído pelo CNJ. Instituído pelo Provimento CNJ nº 145/2023 e regulamentado pela Portaria CNJ nº 13/2026, o prêmio tem como objetivo valorizar projetos, programas e ações que contribuam para o aperfeiçoamento da

“Capim-capeta” pressiona produtividade das pastagens e acende alerta na pecuária

Cleber Barbosa, da Redação O avanço do capim-capeta (Sporobolus spp.) tem acendido um alerta nas propriedades rurais brasileiras. A planta daninha, considerada uma das mais agressivas das pastagens, pode reduzir em até 40% a capacidade de lotação das áreas infestadas, comprometendo diretamente a produção de carne e leite. Além disso, a infestação pode depreciar a propriedade, tornando algumas áreas inviáveis para a atividade pecuária. Na prática, o impacto econômico é expressivo. Em uma propriedade com capacidade original de 2,0 unidade animal por hectare (UA/ha), por exemplo, a infestação pode provocar perda de até 0,8 UA/ha. Considerando preço médio da arroba em R$ 250,00 e produção anual

Guardas portuários: De salvamento aquático a legislação portuária no treinamento

Da Redação A Companhia Docas de Santana (CDSA) concluiu mais uma etapa importante no fortalecimento de sua equipe de segurança institucional com a incorporação de quatro novos guardas ao quadro de servidores da companhia. A medida integra o processo previsto em edital público que estabelece a contratação de um total de 10 guardas e 1 inspetor (foram contratados 8 guardas até agora). Os profissionais recém-integrados passaram por um rigoroso processo de seleção e formação. Entre as etapas cumpridas estão prova escrita, exames médicos, avaliação psicotécnica, curso de formação e, por fim, a efetivação no cargo. Durante o período de capacitação, os guardas receberam treinamento em

R$ 170 milhões: Porto de Santana vai a leilão na Bolsa de Valores de São Paulo

Em entrevista exclusiva, prefeito Bala Rocha explica quem vai investir R$ 170 milhões no terminal. Assine nossa Newsletter Sinta-se no campo com as notícias mais atualizadas sobre o universo do agronegócio. Por favor, confirme sua inscrição! Alguns campos estão ausentes ou incorretos! Digite seu endereço de e-mail e pressione Enter Sem spam, você pode cancelar a qualquer momento.

Deputados aprovam redução da reserva legal, um novo ciclo ao agro no Amapá

Por Cleber Barbosa, da Redação A Assembleia Legislativa do Amapá aprovou o projeto que reduz de 80% para 50% o percentual de reserva legal nas propriedades rurais do estado. A medida, considerada histórica pelo setor produtivo, foi articulada pelo deputado Jesus Pontes e contou com apoio de parlamentares como Júnior Favacho. Autor da proposta, Jesus Pontes classificou a aprovação como resultado de uma construção que levou mais de 15 anos. Segundo ele, o estado precisou cumprir uma série de exigências legais, como a regularização fundiária, a consolidação do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) e a adequação ao Código Florestal Brasileiro. “O Amapá cumpriu todos os requisitos da legislação

Setor madeireiro aposta em novo tempo para o Amapá após redução da reserva legal

Cleber Barbosa, da Redação A aprovação do projeto que reduz para 50% o percentual de reserva legal nas propriedades rurais do Amapá repercutiu diretamente entre empresários do setor madeireiro e do agronegócio. Representantes da região de Pedra Branca do Amapari estiveram na Assembleia Legislativa e classificaram a medida como um “destrave” histórico para o estado. Fernando e Matheus Duarte, pai e filho, atuam no setor madeireiro e também acompanham de perto a cadeia produtiva que envolve pecuária e agricultura. Para eles, a nova legislação traz o principal ingrediente que o mercado exige: segurança jurídica. “Vai ser um grande destrave no estado do Amapá. Eu sempre

Pecuária vê avanço histórico com nova regra da reserva legal no Amapá

Por Cleber Barbosa, da Redação A aprovação da lei que reduz para 50% o percentual de reserva legal nas propriedades rurais do Amapá também foi comemorada pelo setor pecuarista. A presidente da ACRIAP, Alessandra Xavier, destacou que a medida representa um novo momento para o agronegócio local. Segundo ela, a mudança consolida um avanço esperado há anos pelos produtores e reforça a importância da pecuária dentro da economia estadual. “É um crescimento, é um avanço que o Amapá está fazendo parte agora. O agro é desenvolvimento, é economia gerada para o nosso estado”, afirmou. A dirigente fez questão de reconhecer a atuação do deputado Jesus