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Expointer supera trauma de 2024 e indica futuro do agro gaúcho

Expointer supera trauma de 2024 e indica futuro do agro gaúcho


Ao se aproximar da Expointer os visitantes têm uma breve ideia do que vão vivenciar durante a feira: a fila de carros já da um ótimo indicativo da quantidade de pessoas envolvidas no evento, sejam profissionais atuando, representantes setoriais, políticos e, logicamente, visitantes. São 70 mil metros quadrados no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil.

Ao entrar na feira para quem já viveu a Expointer as sensações são bastante familiares: os cheiros, sabores, o vai e vem da organização, dos expositores. Os animais são um capítulo à parte. Refino genético ao extremo, apenas o melhor do melhor, touros premiados, matrizes de primeira categoria, entre outros animais que mostram a capacidade do desenvolvimento genético no Brasil, aumentando significativamente os índices de produtividade da pecuária brasileira.

Para pessoas que são visitantes a diversão é garantida, com muito entretenimento, música, boa comida e boa bebida. Mas a Expointer vai muito além disso, visto que as negociações acontecem o tempo todo, com cifras representativas.

Após a tragédia de 2024 é ótimo ver um evento que deixa evidente a resiliência do agronegócio gaúcho, de fato uma potência.

Desafios do produtor gaúcho

Os desafios vivenciados pelo produtor gaúcho são muitos ao longo da década, considerando que o clima não foi necessariamente gentil com o mercado local. Quebras de safra causadas por estiagem prolongada durante os anos de La Niña, que também afetaram a pecuária gaúcha, e impactaram nos níveis de produtividade.

No Setor Carnes a tragédia de 2024 também produziu vulnerabilidades na blindagem sanitária dentro das granjas, com registro de um foco de Newcastle e o inédito foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP – gripe aviária) em aves comerciais registrado no primeiro semestre de 2025.

A crise de crédito que afeta o agronegócio brasileiro é mais incisiva no Rio Grande do Sul, que precisa de mais linhas para conseguir sustentar uma produção agrícola de alto padrão, uma marca histórica do estado.

Os juros são altos e muitas vezes estrangulam as margens do produtor local. A contratação do seguro agrícola é outro desafio, algo que se tornou bastante complicado após anos problemáticos.

A Expointer é a prova da grandeza do agronegócio gaúcho, com a capacidade singular de se reinventar diante de tantos desafios e de anos complicados. Apesar dos desafios e dos problemas recorrentes, algo é certo no restante da década: o agronegócio gaúcho tende a se fortalecer, gerando emprego e renda para o estado.

*Fernando Henrique Iglesias é coordenador do departamento de Análise de Safras & Mercado, com especialidade no setor de carnes (boi, frango e suíno)


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