As taxas futuras de juros encerraram a sessão desta sexta-feira (29) em leve alta, após os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre reforçarem a leitura de atividade doméstica resiliente. Ao longo da tarde, os contratos oscilaram sem um gatilho único, entre a pressão dos indicadores brasileiros e a cautela externa ligada às negociações entre Estados Unidos e Irã.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 passou de 14,053% no ajuste anterior para 14,09%. O DI para janeiro de 2029 avançou de 13,805% para 13,86%, enquanto o contrato para janeiro de 2031 variou de 13,895% para 13,885%.
Segundo profissionais de renda fixa e economistas ouvidos pelo Broadcast, a curva brasileira voltou a mostrar dinâmica mais associada ao cenário doméstico do que aos ativos externos. Pela manhã, o PIB divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou crescimento de 1,1% no primeiro trimestre ante o período imediatamente anterior, com ajuste sazonal, em linha com a mediana das estimativas.
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De acordo com Felipe Sichel, economista-chefe da Porto Asset, o resultado reforçou a percepção de espaço mais limitado para cortes de juros. Ele afirmou que o dado trouxe desempenho mais fraco do agro, enquanto serviços e indústria mostraram resultado positivo, o que sustentou a leitura de economia ainda aquecida.
Na semana, apesar da queda de cerca de 10% nas cotações do petróleo, a curva futura teve fechamento discreto. Já no mês, houve inclinação maior nos vencimentos mais longos. A Tendências Consultoria elevou sua projeção para a Selic no fim de 2026 de 13,00% para 13,50% e, para 2027, de 10,50% para 11,25%.
Para o setor agropecuário, a trajetória dos juros segue no radar porque afeta o custo financeiro das operações de crédito, do capital de giro e dos investimentos em máquinas, armazenagem e expansão produtiva. O texto-base não traz recortes específicos para linhas de crédito rural, mas o comportamento da curva é um sinal relevante para o ambiente de financiamento.
No fim da tarde, a curva indicava probabilidade de cerca de 80% para um corte de 0,25 ponto porcentual da Selic, praticamente estável em relação à véspera, com taxa terminal próxima de 14% no fim do ano. Novos dados de inflação, atividade e sinais do cenário externo devem seguir determinando o ritmo dessa precificação.
Fonte: Estadão Conteúdo
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