Enquanto a sociedade se manifesta em busca de transparência ao julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que definirá os rumos do ministro Alexandre de Moraes e dos demais integrantes da corte suspeitos de envolvimento com os escândalos de corrupção do Banco Master, uma ala da Suprema Corte advoga que a sessão deve ser adiada por tanger questões políticas.
Essa é a avaliação do cientista político João Henrique Hummel, que concedeu entrevista ao Mercado & Companhia, telejornal do Canal Rural. De acordo com ele, o grupo representado pelos ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino buscam interromper os rumos do processo por uma briga política.
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“Eles [Gilmar Mendes e Flávio Dino] politizaram todos os temas do judiciário e querem, agora, falar que o culpado desta politização na realidade é o [ministro André] Mendonça. E querem tirar o Mendonça desse processo para eles dominarem isso”, considera.
Hummel completa dizendo que os ministros do STF parecem esquecer que estão, neste momento, prestando contas para a sociedade. “O Supremo precisa se posicionar e proteger isso [a transparência do processo].”
O cientista político cita que a Suprema Corte está em um dos momentos históricos de maior descredibilidade popular da história, com a pesquisa Quaest, divulgada na segunda-feira (14), apontando que 56% dos brasileiros dizem não confiar no STF, contra 9% que afirmam “confiar muito”.
De acordo com Hummel, os desdobramentos do julgamento iniciado nesta terça vão trazer a resposta do STF à crise instaurada, ou seja, se a maioria da corte optará por prestar contas à sociedade ou se escolherá por uma posição corporativista.
O que está em jogo?
O julgamento desta terça-feira no STF gira, essencialmente, em torno de saber se há elementos suficientes para abrir uma investigação criminal contra o ministro Alexandre de Moraes por sua suposta relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Essa é a primeira vez que o plenário da Corte delibera sobre a abertura de uma investigação criminal contra um de seus próprios ministros.
O processo reúne informações levantadas pela Polícia Federal no âmbito das investigações do Banco Master. O material contém mensagens e outros elementos que relacionariam Moraes a Vorcaro. O relatório veio a público depois que o então relator do caso Master, ministro André Mendonça, retirou seu sigilo.
Entre os elementos que entraram no debate estão mensagens nas quais Vorcaro teria procurado Moraes antes de sua prisão e solicitado interlocução com autoridades. Também foram revelados registros relacionados ao contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Moraes nega ter favorecido Vorcaro ou o banco e contesta a apuração.
O post Ministros do STF que veem viés eleitoral foram os que politizaram julgamento, diz Hummel apareceu primeiro em Canal Rural.













