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oferta de gado pode cair e impulsionar preços no segundo semestre, diz consultoria

oferta de gado pode cair e impulsionar preços no segundo semestre, diz consultoria


A oferta de gado bovino para abate no Brasil, que vem sendo sustentada pelo elevado volume de fêmeas no mercado, pode estar próxima de um ponto de inflexão, de acordo com a Datagro Pecuária. O ritmo de abates ainda se mantém alto, segundo a consultoria, mas já dá sinais de esgotamento para o segundo semestre de 2025, o que pode afetar a precificação do boi gordo e a dinâmica da reposição.

Dados preliminares da Datagro apontam que, em fevereiro, os abates sob inspeção federal (SIF) totalizaram 2,28 milhões de cabeças, representando uma queda de 1,7% em relação ao mesmo período de 2024. Apesar da retração, o número ainda está próximo das máximas históricas para o mês.

A participação de fêmeas nos abates de fevereiro foi 48,9%, diz a consultoria, um aumento de 1,2 ponto percentual em relação ao ano passado, indicando um uso intensivo das matrizes para manter a oferta no mercado. No entanto, a redução do volume total sugere que essa estratégia pode estar se esgotando, o que pode limitar o crescimento da oferta nos próximos meses.

Clima e retenção de fêmeas podem reduzir disponibilidade

A Datagro avalia que, apesar da elevada oferta de gado no curto prazo, a tendência para os próximos meses é de um mercado mais restrito. A melhora das pastagens, impulsionada pelo clima favorável, pode estimular a retenção de fêmeas para reprodução, reduzindo gradativamente o volume de animais disponíveis para abate.

Se esse padrão persistir, a oferta de gado pode sofrer um recuo mais acentuado na segunda metade do ano, o que impactaria a precificação do boi gordo e da reposição. Com uma menor pressão vendedora, os preços tendem a ganhar sustentação no longo prazo.

Projeções para 2025

A projeção da Datagro para o total de abates em 2025 é de 38,1 milhões de cabeças de gado, o que representa uma queda de 2,9% em relação ao recorde de 2024, mas ainda assim o segundo maior volume já registrado no país.

Com o mercado em transição e sinais de restrição na oferta, o cenário para o segundo semestre deve ser de ajustes significativos, especialmente na formação de preços e na estratégia dos pecuaristas para o manejo dos rebanhos.



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