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Ordenha Brasil vai mapear eficiência em grandes fazendas de leite

Ordenha Brasil vai mapear eficiência em grandes fazendas de leite


Foto: Freepik

Em um cenário de margens cada vez mais apertadas, a adoção de tecnologias e a gestão de dados se tornam peças-chave para a garantia do sucesso das propriedades leiteiras. Levantamentos apontam que mais da metade das fazendas de alto rendimento já utilizam ferramentas de monitoramento de vacas em lactação.

É nesse contexto que surge o Ordenha Brasil, focado no mapeamento da produção por meio de indicadores e benchmarks exclusivos para produtores de leite. O novo projeto foi lançado durante evento realizado nesta quarta-feira (27) em Atibaia, no interior de São Paulo.

A ideia, fruto de uma parceria entre a MSD Saúde Animal e a Scot Consultoria, é muito parecida com o Confina Brasil, que há anos mapeia a cadeia da pecuária de corte nacional. A partir de junho, a expedição vai visitar fazendas com produção acima de 15 mil litros de leite por dia para levantar números produtivos, operacionais e financeiros.

Segundo Rafael Luiz da Silva, gerente de mercado de gado de leite da MSD, o projeto chega para suprir uma demanda crucial por referências estatísticas confiáveis. Ele também destaca que os produtores devem estar abertos a trabalhar com serviços, gestão e troca de informação.

“A tecnologia virou um caminho sem volta. O produtor precisa ser cada vez mais profissional para manter a rentabilidade da atividade”, diz.

Tecnologia acelera transformação nas fazendas

A transformação do mercado leiteiro nacional fica evidente quando analisada a velocidade de crescimento dos principais players em comparação com a média do país.

De acordo com dados apresentados pela empresa, o crescimento do grupo dos 100 maiores produtores de leite do Brasil está quatro vezes mais acelerado do que a média nacional. “A gestão ficou muito mais precisa. O produtor busca ferramentas que ajudem a identificar onde ele pode ganhar eficiência dentro da fazenda”, afirma Silva.

O tamanho da propriedade, contudo, não é sinônimo de alta produtividade. “Hoje existem propriedades menores extremamente tecnificadas e rentáveis. A diferença está muito mais no nível de profissionalização do que no tamanho”, observa.

Eficiência deve pesar ainda mais na rentabilidade

Nesse cenário, o Ordenha Brasil vai mostrar os desafios, os números e as estratégias de quem está na linha de frente da produção de leite no Brasil. Na avaliação de Juliana Pila, analista da Scot Consultoria, o levantamento também deve ajudar a mostrar como tecnologia, gestão e produtividade impactam diretamente a rentabilidade das propriedades.

“Os produtores que trabalham com alta tecnologia ainda conseguem manter rentabilidades positivas, mesmo com oscilações de mercado. Isso passa por investimento em manejo, nutrição, gestão e produtividade”, afirma.

Segundo ela, a diferença entre propriedades mais eficientes e a média nacional aparece até mesmo no poder de compra do produtor. Dados apresentados pela consultoria mostram que fazendas mais produtivas conseguem adquirir maior volume de insumos, como milho e farelo de soja, com a mesma quantidade de leite vendida.

“Isso faz muita diferença na rentabilidade. E ainda nem estamos falando do poder de negociação que esse produtor tem”, observa.

A analista destaca ainda que o avanço da profissionalização deve continuar moldando o setor nos próximos anos, especialmente em um ambiente de margens apertadas e maior exigência por eficiência dentro das fazendas.

“É isso que a gente quer mostrar: o quanto o produtor pode evoluir e como exemplos de propriedades mais eficientes podem servir de referência para outros sistemas de produção”, diz.

Produção cresce com concentração no setor

Apesar da redução no número de propriedades leiteiras nos últimos anos, o especialista da MSD Saúde Animal avalia que o setor não é desorganizado, mas sim bastante diverso. “O Brasil tem desde produtores familiares que tiram 100 litros por dia até fazendas com produção acima de 100 mil litros diários”, explicou.

Segundo Silva, a saída de produtores menores foi compensada pelo crescimento das fazendas mais tecnificadas, o que ajudou a manter a produção nacional estável nos últimos anos.

Em 2025, a produção brasileira de leite aumentou 8,5% na comparação com 2024, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram 27,51 bilhões de litros captados. Para a Scot Consultoria, esse cenário de crescimento deve se manter em 2026, embora em ritmo menor.

“O mercado ainda deve seguir com aumento de oferta neste ano, mas em um ritmo mais moderado do que vimos anteriormente”, finaliza Juliana.

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