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Pedido de investigação chinês sobre carne bovina importada não atende requisitos da OMC, diz Abiec

Pedido de investigação chinês sobre carne bovina importada não atende requisitos da OMC, diz Abiec


Em novembro do ano passado, o Ministério do Comércio da China anunciou que abriria um processo de investigação na Organização Mundial do Comércio (OMC) a respeito da carne bovina que importa.

A iniciativa é uma resposta às queixas dos pecuaristas do gigante asiático, que alegam derrubada de preços internos e baixa competitividade frente aos produtos importados.

O pedido de apuração tem como alvo o período de 1 de janeiro de 2019 a 30 de junho de 2024 e envolve todas as nações das quais o país compra o produto.

De acordo com o advogado Welber Barral, que representa a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) dentro da força-tarefa montada pelo governo federal para a defesa do mercado nacional (como adiantado em reportagem do Canal Rural), pode demorar até um ano para que uma resposta seja dada. “Portanto, é improvável que tenhamos qualquer interferência nas exportações ainda neste ano”.

Contudo, em caso de aprovação das investigações, abre-se uma medida de salvaguarda que pode durar por até quatro anos. Assim, os mercados que mais vendem carne bovina à China, casos de Brasil, Austrália e Argentina, respectivamente, seriam potencialmente os mais prejudicados com sobretaxas nas vendas.

Recorde de exportação de carne

A ação chinesa vem na esteira do recorde de embarques de proteína bovina brasileira ao exterior. Em 2024 foram 2,89 milhões de toneladas vendidas ao exterior, aumento de 26% em relação a 2023, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Neste aspecto, foi justamente a China que liderou como o maior destino do produto brasileiro, com 1,33 milhão de toneladas compradas, gerando ao setor brasileiro faturamento superior a US$ 6 bilhões.

Para Barral, a investigação e possível medida de salvaguarda do país asiático não encontram amparo nos preceitos impostos pela Organização Mundial do Comércio.

“Nossa defesa, a dos exportadores brasileiros representados pela Abiec, é no sentido de que não estão preenchidos os requisitos exigidos pela OMC para a imposição da salvaguarda, ou seja, em síntese, não há um surto imprevisto de importações [de carne bovina] que esteja causando danos à indústria chinesa”.

De acordo com a Abiec, o mercado chinês de carne bovina na China gira em torno de 12 milhões de toneladas, sendo aproximadamente 2,5 milhões de toneladas importadas ao ano e o Brasil ofertando cerca de 50% deste volume.



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