Em São Paulo, o Instituto Biológico, um dos centros de pesquisa mais tradicionais do Brasil e com quase um século de atuação, desenvolve estudos que buscam soluções sustentáveis para um dos principais desafios da pecuária moderna: o controle de parasitas sem o uso excessivo de produtos químicos.
No laboratório de parasitologia animal, pesquisadores investigam alternativas biológicas para o combate a carrapatos, nematoides e outros parasitas que afetam diretamente a produtividade no campo. A proposta é reduzir a dependência de vermífugos e outros insumos químicos, que já apresentam casos de resistência entre os agentes causadores de doenças.
“Os vermes estão resistentes a esses produtos. Então o controle biológico, ele vem para ajudar junto com o produto químico a controlar esses vernos”, detstaca a pesquisadora científica do Instituto Biológico, Márcia Mendes
Segundo Mendes, uma das responsáveis pelo núcleo de acarologia, o trabalho envolve a criação e análise de ácaros predadores que vivem em ambientes como esterco e solo de pastagens. Esses organismos têm potencial para atuar no controle natural de parasitas.
A pesquisa se concentra em espécies da família Macrochelidae, que atuam como inimigos naturais de organismos que comprometem a produção animal. Em testes de laboratório, os resultados apontam eficácia superior a 65% na predação de parasitas, além de avanços em estudos de semicampo.
“Apesar dos avanços, os pesquisadores destacam que o controle biológico não substitui totalmente os métodos químicos, mas funciona como uma estratégia complementar para tornar a produção mais sustentável”, destaca a doutora em parasitologia e entomologia, Karina Araújo dos Santos.
O estudo também chama atenção para a resistência dos vermífugos já utilizados na pecuária, o que reforça a necessidade de novas estratégias de manejo sanitário. O uso de ácaros predadores surge como alternativa promissora especialmente na ovinocultura e caprinocultura, setores sensíveis às verminoses em regiões tropicais.
“Hoje não conseguimos substituir totalmente os produtos químicos, mas o controle biológico se faz necessário diante dos desafios do campo”, afirma Mendes.
Outro ponto importante da pesquisa é o impacto na produção de alimentos. No caso dos caprinos, por exemplo, a redução do uso de químicos pode diminuir resíduos em produtos como leite e carne, ampliando a segurança alimentar.
Além do laboratório, os cientistas avançam para etapas de semicampo e preparam a transição para testes em ambiente real, etapa considerada decisiva para a aplicação em larga escala.
O post Pesquisa aposta em controle biológico para reduzir uso de químicos na pecuária apareceu primeiro em Canal Rural.


















