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Rally da Safra percorre seis estados e reduz expectativa para a safra nacional de soja

Rally da Safra percorre seis estados e reduz expectativa para a safra nacional de soja


A 22ª expedição Rally da Safra, organizada pela Agroconsult, acaba de divulgar resultados parciais do ciclo 2024/25 de soja após percorrer mais de 36 mil quilômetros em seis estados brasileiros.

Diante da piora na situação climática que impactou as lavouras de Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul e dos bons resultados do Centro Norte, a nova projeção aponta para 171,3 milhões de toneladas, redução de 1,1 milhão de toneladas sobre o número pré-Rally, de 16 de janeiro.

Ainda assim, a safra 2024/25 tende a ser 15,8 milhões de toneladas acima da temporada passada.

“Apesar da projeção ter sido alterada em apenas 1,1 milhão de toneladas na estimativa da safra brasileira, as mudanças foram significativas quando avaliamos individualmente cada estado”, afirma o coordenador da expedição técnica, André Debastiani.

De acordo com ele, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Minas Gerais e a região do Matopiba (áreas produtivas de (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) acrescentaram 5 milhões de toneladas à safra nacional, enquanto Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina retiraram 6,2 milhões de toneladas.

Aumento de área

A Agroconsult também ampliou em 100 mil hectares a área plantada no país, que passa a ser de 47,6 milhões de hectares, 1,7% acima da última temporada.

Após as visitas às lavouras, a estimativa de produtividade foi revista de 60,5 para 60 sacas por hectare.

Agora, com outras cinco equipes pela frente, o Rally tem a missão de consolidar os resultados dos estados do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil. A Agroconsult informa que a partir desta semana, os técnicos vão percorrer Goiás, Minas Gerais, a região do Matopiba e o Rio Grande do Sul.

Perdas irreversíveis

lavoura de soja seca sem chuva, seguro rural
Lavoura de soja em Mato Grosso do Sul. Foto: Pedro Silvestre/ Canal Rural

Os dados preliminares do Rally consolidam os estados em três grupos. No primeiro, estão Mato Grosso do Sul e o Rio Grande do Sul, com produtores que tiveram perdas irreversíveis por conta das adversidades climáticas.

Segundo a equipe do Rally, há abandono de áreas em razão da estiagem e ondas de calor nos dois estados. Isso porque o Rio Grande do Sul enfrentou um período de pelo menos 30 dias consecutivos sem chuvas e temperaturas acima de 40 graus.

Desta forma, a situação que já era crítica na metade Sul do estado acabou se espalhando para outras regiões e a estimativa de produtividade caiu para 39 sacas por hectare (49,5 sacas por hectare no pré-Rally). Assim, o território gaúcho tem, agora, safra projetada em 16 milhões de toneladas, contra 20,5 milhões de toneladas em 2023/24.

Já o Mato Grosso do Sul sofreu com o encurtamento do ciclo nas áreas prejudicadas pela estiagem. “O Rally esteve em campo no estado, na última semana, constatando as perdas in loco. A produtividade foi reduzida para 49,5 sacas por hectares (56,5 sacas por hectare no pré-Rally)”, diz a nota da Agroconsult.

Produção histórica de soja em MT

Nos estados do Centro-Norte, o cenário é outro. Os dados coletados no campo com o Rally da Safra e os levantamentos da Agroconsult mostram um segundo grupo com ótimo potencial produtivo, formado por seis estados.

Neste rol, o destaque é o Mato Grosso, que registra aumento de produtividade de 63 sacas por hectare (em janeiro, no pré-Rally) para 66,5 sacas por hectare, novo recorde. Os técnicos da expedição avaliaram, pela segunda vez nesta temporada, as lavouras do oeste, médio-norte e sudeste do estado.

“O estande elevado de plantas, o alto número de grãos por hectare e o peso dos grãos apontam que, pela primeira vez na história, a safra poderá ultrapassar 50 milhões de toneladas”, diz a Agroconsult.

Se confirmado o volume, será o equivalente à soma de Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.

A Bahia, com estimativa de 70 sacas por hectare (67 no pré-Rally), tem a maior produtividade média nacional. Goiás, com 68 sacas por hectare (65,5 em janeiro) e Minas Gerais, com 67 (66 na projeção anterior), além do Tocantins e Maranhão, integram o grupo dos estados com ótimo potencial produtivo e que também vão registrar rendimentos recordes.

Já o terceiro grupo, com bom potencial, registrou intercorrências, mas traz produtividade inalterada: Piauí, com 60 sacas por hectare; pequena elevação em Rondônia (60 sacas por hectare); e queda nos estados do Paraná (62,5 sacas por hectare), São Paulo (63,5) e Santa Catarina (65).

No total, os técnicos do Rally da Safra percorrerão até o dia 22 de março mais de 80 mil km por 13 estados (Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul, Maranhão, Piauí, Tocantins, Bahia e Pará), que respondem por 95% da área de soja.



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