USD: R$ -- EUR: R$ -- BTC: R$ -- USD: R$ -- EUR: R$ -- BTC: R$ --
Navegando:
STF autoriza MT a limitar benefícios fiscais a partir de 2026

STF autoriza MT a limitar benefícios fiscais a partir de 2026


O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconsiderou parcialmente sua decisão anterior e restabeleceu os efeitos do artigo 2º da Lei Estadual 12.709/2024 de Mato Grosso, que veda a concessão de benefícios fiscais e terrenos públicos a empresas que participem de acordos como a Moratória da Soja. A nova decisão, no entanto, só terá validade a partir de 1º de janeiro de 2026.

A Moratória da Soja, firmada em 2006 entre tradings, indústrias, ONGs e governo federal, proíbe a compra de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas após julho de 2008, mesmo quando o desmatamento ocorre dentro dos limites estabelecidos pelo Código Florestal, que permite o corte de até 20% da vegetação em propriedades na região amazônica.

A lei de Mato Grosso foi aprovada em 2024 com apoio do setor produtivo, que alega que o acordo vai além das exigências ambientais legais e penaliza propriedades rurais que operam conforme a legislação. O artigo agora restabelecido proíbe especificamente a concessão de benefícios fiscais a empresas que “participem de acordos, tratados ou quaisquer outras formas de compromissos, nacionais ou internacionais, que imponham restrições à expansão da atividade agropecuária em áreas não protegidas por legislação ambiental específica”.

Em sua decisão, Dino reconheceu a importância ambiental do acordo, mas ponderou que ele “não tem força vinculante sobre a atuação do poder público, que pode fundamentar sua política de incentivos fiscais, em critérios distintos em relação a um acordo privado, desde que conforme a legislação nacional”.

O ministro enfatizou que “a adesão das empresas à Moratória da Soja é decisão livre, no exercício da iniciativa privada”. Contudo, avaliou ser “razoável que o Estado não seja obrigado a conceder incentivos fiscais ou terrenos públicos a empresas que atuem em desconformidade com a visão de ajustamento aos marcos legais que entraram em vigor após a celebração da Moratória da Soja”. “O poder público, no caso, deve respeitar a iniciativa privada; mas, por outro lado, o poder público não é obrigado a conceder novos benefícios a empresas que resolvam exigir o que a lei não exige”, argumentou Dino.

A decisão atende parcialmente aos pedidos de reconsideração formulados pelo governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), pela Assembleia Legislativa estadual e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Em suas manifestações, o governador argumentou que a lei “visa a resguardar a soberania nacional, impedindo que o estado conceda incentivos a empresas cujas práticas comerciais limitem a expansão agropecuária em áreas desprovidas de proteção ambiental específica”.

O debate sobre a Moratória da Soja se intensificou nos últimos meses com a aproximação da implementação da legislação europeia de combate ao desmatamento (EUDR), que exige rastreabilidade de produtos agrícolas a partir de 31 de dezembro de 2020. Empresas como a Cargill têm indicado a manutenção da Moratória da Soja na Amazônia, enquanto adaptam suas políticas em outras regiões para atender aos novos marcos regulatórios internacionais.

Dino alertou que regulações excessivamente restritivas podem ter efeitos negativos. “É fundamental fixar que os desafios ambientais, especialmente na Amazônia, não dependem apenas de repressão, e sim de adequados juízos de ponderação em cada caso concreto”, escreveu. “De nada vale uma regulação ‘dura’ se ela não é cumprida e conduz a uma forte rede sócio-econômica tecida na escuridão da ilegalidade, muitas vezes com expressiva atuação de organizações criminosas”, completou.

A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 7774) foi proposta por PCdoB, PSOL, PV e Rede Sustentabilidade. A Advocacia-Geral da União (AGU) havia se manifestado contra a lei estadual, afirmando que ela “ofende ao direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado” e representa “intervenção do Estado no domínio econômico que beneficia agentes que se mantêm distantes de preocupações de cunho ambiental”.

Em respeito à segurança jurídica, o ministro determinou que a aplicação da lei mato-grossense deve “respeitar os direitos adquiridos e os atos jurídicos perfeitos, bem como o contraditório e a ampla defesa”. Os demais artigos da lei permanecem suspensos pela liminar anterior.

O prazo até 2026 visa dar tempo para que “as partes privadas e os agentes públicos possam dialogar nos termos que considerarem cabíveis”, destacou o ministro. Dino submeteu sua decisão ao referendo do Plenário do STF, sem prejuízo de seu cumprimento imediato.



Source link

Assine nossa Newsletter

Sinta-se no campo com as notícias mais atualizadas sobre o universo do agronegócio.

Sem spam, você pode cancelar a qualquer momento.


Notícias Relacionadas

Nubank amplia crédito para PMEs com antecipação de recebíveis e capital de giro

O Nubank anunciou, nesta quarta-feira (13), a ampliação da oferta de crédito para pequenas e médias empresas (PMEs) com duas frentes: antecipação de recebíveis e capital de giro. As soluções serão disponibilizadas no Nu Empresas, plataforma voltada a clientes pessoa jurídica, em um cenário de maior atuação de bancos e fintechs no segmento. Na antecipação de recebíveis, o empreendedor poderá adiantar valores de boletos emitidos antes do vencimento, diretamente pelo aplicativo. Segundo o Nubank, a operação não exige apresentação de nota fiscal. A instituição não informou, no material divulgado, volume potencial de concessão, tíquete médio ou taxa aplicada nessa modalidade. Já a linha “Capital de

Emenda em projeto no Senado autoriza uso do FGI na renegociação de dívidas rurais

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal analisa uma emenda ao Projeto de Lei 5.122/2023 que autoriza a ampliação da participação do governo federal no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) para operações de renegociação de dívidas rurais. Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o mecanismo poderá sustentar a repactuação de débitos acumulados por produtores nos últimos anos. A votação está prevista para a próxima terça-feira (19). A emenda, apresentada pela senadora Tereza Cristina (PP-MS) e incorporada ao relatório do senador Renan Calheiros (MDB-AL), prevê aporte adicional de até R$ 20 bilhões no FGI. Pelos termos discutidos na CAE nesta quarta-feira (13), os

Secretária da Fazenda apresenta em Nova Iorque avaliação sobre ambiente de investimento no Brasil

A secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire, afirmou na segunda-feira (11) que o Brasil mantém fundamentos macroeconômicos e fiscais que, na avaliação do governo, sustentam um ambiente favorável ao investimento. A declaração foi feita durante o evento “Brasil em Pauta”, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, em apresentação voltada a empresários e autoridades. Na exposição, a secretária destacou o desempenho recente da economia brasileira e associou esse quadro à melhora das contas públicas, ao avanço da atividade econômica, à redução do desemprego e ao controle da inflação. Segundo ela, o país também tem registrado movimento favorável no câmbio e no investimento

Banco Daycoval afirma que atuou como emissor regular em operação investigada pela PF

O Banco Daycoval informou, nesta quarta-feira (13), que atuou “exclusivamente como emissor dos títulos” citados na Operação Off-Balance, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para apurar supostas irregularidades na gestão de recursos do Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (IPSSC), na Grande São Paulo. Segundo a instituição, a negociação ocorreu no mercado secundário e fora da decisão direta do banco. Em nota, o Daycoval declarou que não participou da decisão de investimento nem da aquisição das letras financeiras mencionadas na investigação. O banco acrescentou que suas operações seguem a regulamentação vigente e padrões de compliance e governança do sistema financeiro. A PF apura aplicações

Ouro fecha em alta na Comex com suporte da demanda de bancos centrais

O ouro encerrou a sessão desta quarta-feira (13) em alta no mercado internacional, mesmo após a divulgação de um dado de inflação ao produtor acima do esperado nos Estados Unidos. O movimento foi sustentado, segundo análises de mercado, pela demanda contínua de bancos centrais. No mesmo pregão, a prata avançou mais de 4%, com apoio da demanda chinesa e da valorização do setor de energia. Na Comex, divisão de metais da Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), o contrato de ouro para junho fechou com alta de 0,43%, a US$ 4.706,7 por onça-troy. Já a prata para julho subiu 4,41%, para US$ 89,368 por onça-troy.

Fenasul Expoleite 2026 é aberta em Esteio com 1.453 animais inscritos

A 19ª Fenasul e a 46ª Expoleite foram abertas oficialmente nesta quarta-feira (13), no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS). A programação segue até domingo (17), com entrada gratuita para pedestres e veículos. Segundo o governo do Rio Grande do Sul, a feira reúne 1.453 animais inscritos e amplia a agenda técnica e comercial voltada à pecuária e à produção de leite. A cerimônia de abertura contou com a presença do governador em exercício, Gabriel Souza, e do secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). De acordo com a

Mauro Vieira diz que Brasil manterá diálogo com UE sobre carne e nega relação com acordo do Mercosul

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quarta-feira (13) que o aviso da União Europeia (UE) sobre uma possível suspensão da carne brasileira a partir de setembro não está ligado à assinatura do acordo entre Mercosul e o bloco europeu. Segundo o chanceler, a questão envolve uma discussão técnica sobre protocolos sanitários e uso de medicamentos na produção pecuária, tema que, de acordo com ele, já vinha sendo tratado entre as partes. Em entrevista à CNN Brasil, Vieira disse que a análise europeia não representa uma decisão imediata. De acordo com o ministro, a medida, se confirmada, teria vigência apenas em setembro, o

Governo anuncia MP para conter alta da gasolina e publica texto nesta quarta-feira

O governo federal informou que publicará nesta quarta-feira (13), em edição extra do Diário Oficial da União, uma Medida Provisória (MP) voltada à redução do preço da gasolina. O anúncio está previsto para as 15 horas, no Ministério de Minas e Energia (MME), em meio à expectativa de reajuste pela Petrobras e à alta volatilidade do petróleo no mercado internacional. Segundo o Ministério de Minas e Energia, a apresentação tratará de “novas ações de enfrentamento aos efeitos da guerra” sobre o setor de combustíveis no Brasil. Participam da coletiva o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti,

Mauro Vieira relata tratativas na Ásia Central para ampliar importação de fertilizantes

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quarta-feira (13) que manifestou a autoridades do Cazaquistão e do Uzbequistão o interesse do Brasil em ampliar e dar maior permanência à importação de fertilizantes. A declaração foi dada em entrevista à CNN Brasil, a partir da Índia, onde o chanceler participará da reunião do Brics na quinta-feira (14). Segundo Vieira, a agenda na Ásia Central incluiu encontros com os ministros das Relações Exteriores e com os presidentes dos dois países. De acordo com o chanceler, o objetivo foi ampliar a relação comercial com uma região que o governo brasileiro classifica como nova fronteira econômica, comercial

Governo Federal antecipa dragagens e monitoramento para seca na navegação da Amazônia

O Governo Federal anunciou, nesta quarta-feira (13), a ampliação de ações preventivas para reduzir os efeitos de uma possível nova estiagem na Amazônia em 2026. As medidas envolvem planejamento de dragagens, manutenção hidroviária, reforço da sinalização náutica e monitoramento das condições de navegabilidade. O objetivo é preservar o transporte de passageiros, o abastecimento de cidades e o fluxo de cargas na região Norte. A estratégia foi estruturada após as secas registradas em 2023 e 2024, quando rios como Amazonas e Solimões atingiram níveis críticos e comprometeram a circulação de embarcações. Em Itacoatiara (AM), o Rio Amazonas chegou a 83 centímetros em 2024. Em Parintins (AM),