USD: R$ -- EUR: R$ -- BTC: R$ -- USD: R$ -- EUR: R$ -- BTC: R$ --
Navegando:
Suinocultura ganha fôlego com exportações recordes e avanço no mercado asiático

Suinocultura ganha fôlego com exportações recordes e avanço no mercado asiático


Foto: Sistema Faep

Em um contexto de pressão sobre a suinocultura brasileira, marcado por elevada oferta, demanda doméstica fragilizada e preços em níveis mais baixos, o mercado externo voltou a se destacar como principal vetor positivo em abril.

A exportação brasileira de carne suína totalizou 135,993 mil toneladas (in natura + industrializado) em abril, avanço de 11,13% em relação a igual mês do ano passado, quando somou 122,370 mil toneladas. Houve uma desaceleração em relação a março, mesmo assim, é o quarto maior volume mensal da história.

As vendas do mês geraram US$ 324,1 milhões em receita a partir de um preço médio por tonelada de US$ 2.383. O preço da tonelada ficou praticamente estável ao longo do primeiro quadrimestre, indicando equilíbrio entre oferta e demanda no mercado global.

O principal destaque do período foi o desempenho das Filipinas, com 34,262 mil toneladas, correspondendo a 25,19% de todo o volume exportado no mês, consolidando-se como o maior destino da carne suína brasileira.

Na sequência aparecem Japão com 16,605 mil toneladas e participação de 12,21%, China com 11,829 mil toneladas e participação de 8,70%, Chile com 11,106 mil toneladas e participação de 8,17%. Juntos, esses quatro mercados concentram mais da metade das vendas externas, um indicativo claro de dependência comercial.

A forte presença de países asiáticos entre os principais compradores não é casual. A região permanece como o principal motor da demanda global por proteína suína, impulsionada por fatores como crescimento populacional, urbanização e mudanças nos padrões de consumo alimentar.

Os dados mostram que nem todos os mercados pagam o mesmo valor pela carne suína brasileira. O Japão, por exemplo, apresenta um preço médio de US$ 3.318 por tonelada em abril, bem acima da média geral de US$ 2.383, refletindo um padrão de consumo mais exigente e voltado a cortes de maior qualidade.

Já países como China e Filipinas, embora fundamentais em volume, operam com preços médios mais baixos, próximos de US$ 2.200 a US$ 2.300 por tonelada. O cenário indica a coexistência de duas estratégias claras:

  • Mercados de volume, que absorvem grandes quantidades com menor valor agregado;
  • Mercados premium, que compram menos, mas pagam mais por qualidade e especificidade

Outro aspecto relevante é a composição da pauta exportadora. A carne suína congelada representa cerca de 83% do volume total. Em números absolutos, isso correspondeu a mais de 113 mil toneladas em abril. Outras categorias aparecem com participação bem menor:

  • Miúdos: cerca de 10%
  • Pedaços: aproximadamente 5%
  • Carcaças: apenas 2%

Embora os miúdos tenham menor peso no total, eles desempenham papel estratégico, especialmente em mercados asiáticos e africanos, onde há maior aceitação desses produtos.

No consolidado do primeiro quadrimestre, o Brasil embarcou 516,4 mil toneladas entre janeiro e abril, um avanço de aproximadamente 15,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram exportadas 445,8 mil toneladas.

Em termos financeiros, o desempenho também foi positivo. A receita acumulada chegou a US$ 1,229 bilhão, ante US$ 1,059 bilhão no ano anterior, o que representa um aumento de cerca de 16,1%. O avanço simultâneo de volume e faturamento indica um cenário de expansão consistente, ainda que sustentado principalmente por ganhos de escala.

O grande destaque de 2026 é o salto das exportações para as Filipinas, que ampliaram significativamente sua participação. O volume exportado ao país asiático passou de 95,9 mil toneladas em 2025 para 155,5 mil toneladas em 2026, um crescimento de aproximadamente 62%.

Com isso, as Filipinas passaram a representar 30,11% de todo o volume exportado em 2026, contra 21,52% no ano anterior, reforçando sua posição como principal destino da carne suína brasileira. Em receita, o avanço foi igualmente expressivo, com alta de cerca de 67%, atingindo US$ 356,8 milhões.

Apesar do resultado positivo, o movimento acende um alerta: o aumento da dependência de um único mercado pode elevar a vulnerabilidade do setor diante de oscilações externas. Outro destaque relevante é o crescimento das vendas para o Japão, tradicional mercado premium. O volume exportado saltou de 34,1 mil toneladas para 59,9 mil toneladas, uma alta de aproximadamente 75% — o maior avanço entre os principais destinos.

Em valor, o crescimento foi ainda mais significativo, passando de US$ 118,4 milhões para US$ 199,2 milhões, consolidando o Japão como um dos mercados mais rentáveis para a carne suína brasileira. O desempenho reforça a importância da diversificação para mercados de maior valor agregado, capazes de elevar a receita mesmo sem depender exclusivamente do aumento de volume.

Na contramão dos resultados positivos, dois importantes destinos asiáticos apresentaram quedas expressivas: China com recuo de aproximadamente 35,7% no volume (de 68,5 mil para 44,1 mil toneladas) e Hong Kong com queda de cerca de 29,5% (de 46,8 mil para 33 mil toneladas). Em valor, o movimento também foi negativo.

A China reduziu sua participação na receita total de 14,21% para 7,99%, enquanto Hong Kong caiu de 10,97% para 5,90%. A retração nesses mercados está associada a demanda interna enfraquecida e forte produção local. Vale destacar que os preços na China estão pressionados, tanto que o governo do país anunciou que comprará carne suína congelada para reserva estatal. Além disso, está orientando produtores a reduzirem o rebanho de matrizes.

O cenário global é desafiador, mas a perspectiva é de continuidade de bons resultados da exportação brasileira ao longo de 2026, considerando a necessidade de compras das Filipinas, que ainda não consegue avançar produção de maneira contundente por conta dos efeitos da peste suína africana (PSA), enquanto a demanda local cresce.

Além disso, a Espanha. que contou com casos de PSA recentemente, deve perder um pouco de espaço no mercado global. Assim, a expectativa é que o Brasil capture vendas para o Japão, Coreia do Sul (mesmo que volumes discretos). Além disso, a carne suína brasileira conta com excelente qualidade e preços competitivos no cenário internacional.

*Fernando Henrique Iglesias é coordenador do departamento de Análise de Safras & Mercado, com especialidade no setor de carnes (boi, frango e suíno)


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

O post Suinocultura ganha fôlego com exportações recordes e avanço no mercado asiático apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

Assine nossa Newsletter

Sinta-se no campo com as notícias mais atualizadas sobre o universo do agronegócio.

Sem spam, você pode cancelar a qualquer momento.


Notícias Relacionadas

Emendas à PEC da jornada propõem manter 44 horas em atividades essenciais

Duas emendas apresentadas à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19 propõem manter a jornada de 44 horas semanais para atividades essenciais e estabelecer prazo de 10 anos para a entrada em vigor da redução da carga horária. O tema foi discutido nesta sexta-feira (15), em Porto Alegre (RS), durante agenda do programa Câmara pelo Brasil. A matéria está em análise em comissão especial da Câmara dos Deputados. O prazo para apresentação de sugestões à PEC 221/19 já foi encerrado. Pelas emendas, continuariam com limite de 44 horas atividades cuja interrupção possa comprometer a preservação da vida, da saúde, da segurança, da mobilidade, do abastecimento,

Fazenda lança simulador para renegociação de dívidas no Novo Desenrola Brasil

O Ministério da Fazenda lançou nesta sexta-feira (15) um simulador para renegociação de dívidas no programa Novo Desenrola Brasil. A calculadora está disponível no site da pasta e permite ao usuário projetar a operação com uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Segundo as regras informadas, o sistema considera limites definidos para utilização do saldo do fundo. A ferramenta foi criada para oferecer uma referência prévia ao consumidor interessado em renegociar débitos dentro das condições do Novo Desenrola Brasil, lançado neste mês. Pela regra divulgada, é possível usar até 20% do saldo disponível do FGTS, ou R$ 1 mil, valendo o valor

Governo inicia liberação de R$ 1 bilhão para moradias de famílias do PNRA

O governo federal iniciou, nesta sexta-feira (15), a liberação de R$ 1 bilhão em Crédito Instalação nas modalidades Habitacional e Reforma Habitacional para famílias atendidas pelo Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA). A medida envolve o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Caixa Econômica Federal, responsável pela operacionalização dos pagamentos. Segundo o governo, os recursos poderão ser usados para compra de materiais de construção, contratação de projetos arquitetônicos, serviços de engenharia e pagamento de mão de obra. O objetivo é atender famílias assentadas, comunidades quilombolas e beneficiários residentes em unidades de conservação

Bolsas de Nova York caem com pressão sobre tecnologia e alta dos Treasuries

As bolsas de Nova York fecharam em queda nesta sexta-feira (15), pressionadas principalmente pelas ações de tecnologia, pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pelo aumento da cautela global diante do cenário geopolítico. O movimento ocorreu após o fim da cúpula entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, sem anúncios econômicos concretos de maior alcance. O índice Dow Jones recuou 1,07%, aos 49.526,17 pontos. O S&P 500 caiu 1,24%, aos 7.408,50 pontos. Já o Nasdaq perdeu 1,54%, aos 26.225,14 pontos. No acumulado da semana, as variações foram mais limitadas: queda de 0,16% no Dow, alta

Crédito rural empresarial soma R$ 391,2 bilhões no Plano Safra 2025/2026

O crédito rural da agricultura empresarial totalizou R$ 391,2 bilhões entre julho de 2025 e abril de 2026, no âmbito do Plano Safra 2025/2026, segundo boletim divulgado nesta sexta-feira (15) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O volume ficou 5% abaixo dos R$ 409,8 bilhões registrados no mesmo intervalo da safra anterior. No período, a Cédula de Produto Rural (CPR) ampliou participação no financiamento do setor. De acordo com a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a CPR movimentou R$ 167 bilhões, alta de 10% em relação ao ciclo anterior. Com isso, passou a responder por 43% do total

Workshop em Brasília debate estratégias de controle da brucelose e tuberculose bovina

O Workshop sobre Estratégias para Controle da Brucelose e Tuberculose Bovina terminou nesta sexta-feira (15), na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília. O encontro discutiu ações ligadas ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose (PNCEBT), com foco em testagem de animais, certificação de propriedades, destinação de positivos e mecanismos de indenização. Entre as apresentações, a coordenadora do Programa de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi), Ana Claudia Groff, detalhou o modelo adotado no estado para indenização de animais

Câmara pode votar na próxima semana projetos sobre combustíveis, ECA e fertilizantes

O Plenário da Câmara dos Deputados pode votar, entre terça-feira (19) e quinta-feira (21), projetos relacionados à alta dos combustíveis, ao endurecimento de penas para crimes sexuais previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e ao incentivo à produção nacional de fertilizantes. Segundo a pauta da Casa, as propostas tratam de preços, regras fiscais e subsídios a setores considerados estratégicos. Entre os textos previstos está o Projeto de Lei (PL) 1625/26, de autoria do Poder Executivo. A proposta cria um crime específico contra as relações de consumo para punir o aumento abusivo de preços de combustíveis. O parecer favorável do relator, deputado Merlong

Petrobras assina contratos de R$ 11 bilhões para quatro embarcações de apoio offshore

A Petrobras assinou, nesta quinta-feira (14), oito contratos no valor total de R$ 11 bilhões para a construção, afretamento e prestação de serviços de quatro embarcações de apoio submarino. As unidades serão destinadas às operações offshore da companhia e integram o Programa Mar Aberto, voltado à renovação e ampliação da frota do Sistema Petrobras. Os contratos foram firmados com a DOF Subsea Serviços LTDA. A construção dos navios está prevista para o estaleiro Navship, em Navegantes, Santa Catarina. Segundo a Petrobras, as embarcações serão do tipo RSV (ROV Support Vessel), especializadas em inspeção, manutenção e reparo submarino, atividades ligadas à operação em águas profundas e

Petróleo sobe com impasse entre EUA e Irã e repercussão de cúpula entre Xi e Trump

Os contratos internacionais de petróleo fecharam em alta nesta sexta-feira (15), sustentados pelo aumento da tensão diplomática no Oriente Médio e pela falta de sinais concretos de avanço nas negociações envolvendo Estados Unidos, Irã e China. O movimento também refletiu a atenção do mercado à segurança do fluxo global de petróleo, especialmente nas rotas ligadas ao Estreito de Ormuz. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para julho encerrou o pregão com alta de 4,23%, equivalente a US$ 4,10, a US$ 101,02 por barril. Já o Brent para o mesmo mês, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, subiu 3,35%, ou US$ 3,54,

Exportações do agro somam US$ 16,65 bilhões em abril e renovam recorde para o mês

As exportações do agronegócio brasileiro totalizaram US$ 16,65 bilhões em abril de 2026, o maior valor já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1997. O resultado, divulgado nesta sexta-feira (15) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), ficou 11,7% acima do observado em abril de 2025. No acumulado de janeiro a abril, as vendas externas do setor somaram US$ 54,6 bilhões, também recorde para o primeiro quadrimestre. De acordo com o Mapa, o avanço de abril foi sustentado por aumento de 9,5% no volume exportado e alta de 2,1% no preço médio dos produtos embarcados. As importações do agronegócio somaram