As vendas do varejo brasileiro recuaram 3% em termos reais em abril de 2026, na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), divulgado nesta segunda-feira (12). O indicador desconta a inflação e aponta perda de ritmo do consumo em um cenário de maior pressão sobre a renda das famílias e de efeito calendário menos favorável.
De acordo com a Cielo, parte do resultado foi influenciada pela Páscoa. Em 2026, a data ocorreu no início de abril, o que antecipou compras sazonais para março. Em 2025, a Páscoa caiu mais tarde e ainda houve emenda com o feriado de Tiradentes, fator que favoreceu segmentos ligados a lazer, alimentação fora do lar e turismo. Essa diferença elevou a base de comparação para abril deste ano.
Segundo Carlos Alves, vice-presidente de Negócios da Cielo, o resultado indica um consumidor mais seletivo. “Em um ambiente de inflação mais elevada em itens essenciais, o varejo tende a sentir primeiro a desaceleração nas categorias discricionárias”, afirmou.
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Regionalmente, todas as regiões registraram retração real. O Nordeste teve o pior desempenho, com queda de 4,7%, seguido por Norte (-3,8%), Sudeste (-3,4%) e Sul (-2,7%). O Centro-Oeste recuou 1,4%, a menor baixa entre as regiões. Entre os estados, o Amapá avançou 2,7%, Rondônia teve alta de 0,2% e Minas Gerais recuou 0,6%. Na outra ponta, Piauí (-7,7%), Rio Grande do Norte (-6,6%) e Pernambuco (-5,5%) tiveram as maiores quedas.
Nos canais de venda, o comércio eletrônico cresceu 6,5% em termos nominais na comparação anual, enquanto o varejo físico avançou 0,2%. Para a Cielo, o ambiente de inflação mais alta em alimentos e combustíveis favoreceu compras com maior comparação de preços e busca por conveniência.
Entre os macrossetores, Serviços caiu 5,5% em termos reais, com pressão sobre alimentação fora do lar, recreação, lazer e turismo. Bens Duráveis e Semiduráveis recuou 4,9%, com destaque negativo para vestuário, artigos esportivos, móveis e eletro. Já Bens Não Duráveis teve retração menor, de 1,6%, com drogarias e farmácias mostrando maior resiliência.
O ICVA acompanha mensalmente as vendas em 18 setores do varejo brasileiro, de pequenos lojistas a grandes redes. Pelos dados de abril, o consumo segue mais concentrado em itens essenciais e em canais com maior eficiência de preço, enquanto segmentos discricionários permanecem mais sensíveis ao custo de vida e ao calendário comercial.
Fonte: Estadão Conteúdo
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