A União Europeia anunciou nesta terça-feira (12) a lista de países autorizados a continuar exportando carne para o bloco europeu a partir de setembro deste ano. O Brasil ficou fora da relação por ainda não ter apresentado garantias consideradas suficientes sobre o controle do uso de determinados antimicrobianos na produção animal.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
A decisão ocorre em meio ao endurecimento das regras sanitárias europeias relacionadas ao uso de antibióticos considerados importantes para a medicina humana e veterinária.
No Brasil, o Ministério da Agricultura e Pecuária publicou no último dia 26 de abril uma portaria proibindo a importação, fabricação, comercialização e uso de aditivos melhoradores de desempenho que contenham antimicrobianos classificados como relevantes para a saúde humana ou animal.
“Ficam proibidos, em todo o território nacional, a importação, a fabricação, a comercialização e o uso de aditivos melhoradores de desempenho que contêm os antimicrobianos constantes do Anexo desta Portaria, classificados como importantes na medicina humana ou na medicina veterinária”, diz o artigo 1º do documento.
A divulgação da lista foi interpretada por analistas como um gesto político e regulatório da União Europeia para demonstrar rigor sanitário diante das críticas feitas por produtores rurais europeus, especialmente após o avanço do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
“Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e controle de antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona”, afirmou o comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen.
Resistência antimicrobiana preocupa autoridades globais
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a resistência antimicrobiana (RAM) está entre as principais ameaças globais à saúde pública e ao desenvolvimento econômico.
A entidade estima que a resistência bacteriana tenha sido diretamente responsável por 1,27 milhão de mortes em 2019, além de ter contribuído para outras 4,95 milhões de mortes no mundo.
O uso inadequado e excessivo de antimicrobianos em humanos, animais e plantas é apontado como um dos principais fatores para o avanço de microrganismos resistentes a medicamentos.
A OMS alerta que a resistência antimicrobiana compromete avanços importantes da medicina moderna, dificultando o tratamento de infecções e aumentando os riscos de procedimentos como cirurgias, cesarianas e tratamentos contra o câncer.
Além dos impactos na saúde, a resistência antimicrobiana também preocupa pelo efeito econômico. Segundo estimativas do Banco Mundial citadas pela OMS, a RAM pode gerar custos adicionais de US$ 1 trilhão em saúde até 2050, além de provocar perdas anuais entre US$ 1 trilhão e US$ 3,4 trilhões no Produto Interno Bruto (PIB) global até 2030.
O post Antibiótico citado pela União Europeia para barrar carne brasileira já é proibido no Brasil apareceu primeiro em Canal Rural.

















