O mercado de biofertilizantes e fertilizantes especiais encerrou 2025 com faturamento de R$ 25,4 bilhões, queda de 5,5% em relação a 2024, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal (Abisolo). Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (28), em São Paulo, no Anuário 2026 da entidade. De acordo com a associação, o resultado refletiu juros elevados, restrição de crédito, inadimplência no agro, custos de produção mais altos e menor rentabilidade do produtor.
Segundo o relatório de inteligência de mercado da Abisolo, os segmentos mais expostos às commodities sentiram pressão maior sobre preços e margens ao longo de 2025. Já os produtos de maior valor agregado tiveram desempenho mais resiliente, sustentados pela percepção de que essas tecnologias ajudam a elevar a produtividade e reduzir riscos no manejo.
Em nota, o presidente do Conselho Deliberativo da Abisolo, Roberto Levrero, afirmou que o ambiente foi desafiador para o produtor rural e para a cadeia de insumos. Segundo ele, esse cenário levou o agricultor a postergar decisões de compra, pressionar por menores preços e adotar mais cautela na gestão da produção.
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Apesar da retração no faturamento, a entidade informou que, de forma geral, não houve redução significativa nos volumes comercializados. Para a associação, esse comportamento indica manutenção da relevância dos fertilizantes especiais e dos biofertilizantes no sistema produtivo.
Entre os segmentos, os biofertilizantes avançaram 76,7% em 2025, impulsionados pelo aumento de registros no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), maior adoção no campo e entrada de novas empresas. Os fertilizantes orgânicos cresceram 58,5%, favorecidos pela recuperação dos preços médios de venda.
A soja ampliou participação nas vendas do setor, de 44,1% em 2024 para 48,6% em 2025, consolidando-se como a principal cultura consumidora desses insumos. Minas Gerais manteve a liderança entre os estados consumidores, com 22% do faturamento. Também houve alta de 19,4% no segmento de condicionadores de solo de base orgânica, para R$ 154 milhões, e de 22,8% no mercado de substratos para plantas, para R$ 517,2 milhões, influenciado pela escassez de matérias-primas importadas.
A leitura da Abisolo é que, mesmo com crédito mais restrito e pressão sobre a renda no campo, a demanda por tecnologias voltadas à eficiência produtiva e à sustentabilidade segue presente. A entidade não apresentou projeções numéricas para 2026 no material divulgado, o que limita uma estimativa mais precisa para o comportamento do setor no curto prazo.
Fonte: Estadão Conteúdo
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