USD: R$ -- EUR: R$ -- BTC: R$ -- USD: R$ -- EUR: R$ -- BTC: R$ --
Navegando:
Senado aprova MP do frete sem o piso salarial de R$ 5 mil dos caminhoneiros

Senado aprova MP do frete sem o piso salarial de R$ 5 mil dos caminhoneiros


Foto: Pixabay

O Senado aprovou nesta terça-feira (14) a medida provisória que altera as regras do piso mínimo do frete rodoviário, mas sem o piso salarial de R$ 5 mil mensais para os caminhoneiros.

A medida provisória (MP 1.343/2026) passou por uma série de mudanças e, por isso, foi transformada em um projeto de lei de conversão: o PLV 6/2026. O texto segue para a sanção da Presidência da República.

O valor do piso não estava no texto enviado pelo governo. A previsão de um piso salarial nacional de R$ 5 mil para caminhoneiros de longa distância foi incluída pela comissão mista (de senadores e deputados federais) que analisou a matéria — e foi mantida na votação na Câmara dos Deputados.

Porém, no Senado, o dispositivo foi retirado por ser considerado um tema estranho ao conteúdo original da medida provisória. O pedido de exclusão foi apresentado pelos senadores Jaime Bagattoli (PL-RO) e Tereza Cristina (PP-MS), e foi acatado pelo relator da MP, senador Styvenson Valentim (Podemos-RN).

A exclusão foi tratada como supressão, e não como alteração do texto, para evitar o retorno da proposta à Câmara.

‘Tema é inconstitucional’

Ao anunciar o acordo para a votação da proposta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que reuniu governo, parlamentares e representantes dos setores envolvidos para buscar um consenso. Segundo ele, o texto aprovado pela Câmara gerava divergências e precisava ser discutido antes de ir a votação no Plenário do Senado.

Tereza Cristina disse que o dispositivo sobre o piso salarial deveria ser retirado por tratar de tema alheio à medida provisória e que, por isso, poderia ser considerado inconstitucional. Segundo ela, a questão havia sido discutida entre o governo e representantes dos caminhoneiros e transportadores.

Jaime Bagattoli afirmou que a manutenção do piso poderia prejudicar milhares de pequenos empresários do transporte rodoviário. Assim como Tereza Cristina, ele disse que a preocupação foi discutida com representantes dos caminhoneiros, que, segundo ele, concordaram com a retirada do dispositivo.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), e a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmaram que as negociações buscaram preservar os pontos considerados essenciais da proposta e evitar que a medida provisória perdesse a validade.

O parecer de Styvenson Valentim trouxe ainda ajustes de redação. A aprovação ocorreu dois dias antes do fim do prazo para análise da matéria. Embora esteja em vigor desde março, a MP dependia da aprovação do Congresso para se tornar lei em definitivo.

A redação final prevê que acordos e convenções coletivas de trabalho instituirão o piso salarial aplicável aos motoristas profissionais de longa distância.

Anistia a caminhoneiros multados

O texto também anistia caminhoneiros multados por bloqueios em rodovias durante as eleições de 2022. O perdão das multas, que não constava na medida provisória editada pelo governo federal, foi incluído pela comissão mista que analisou a MP.

“É uma tranquilidade para os caminhoneiros. O projeto busca anular multas aplicadas em 2022. Entendo que o caráter pedagógico dessas multas já foi alcançado. Manter essa injustiça passaria uma ideia de vingança, o que não contribui em nada para a sociedade”, disse Styvenson Valentim. 

Outra anistia é para quem descumpriu as normas do frete, como pagamento abaixo do piso estipulado pela Lei 13.703, de 2018. Assim, embora a MP fixe regras mais rígidas para o cumprimento do frete mínimo e a definição de seu valor, aqueles que foram punidos administrativamente até a publicação da futura lei terão as multas convertidas em advertência. A medida vale para processos em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas ainda não quitadas.

A conversão não se aplica a casos de fraude, uso de documentos falsos ou omissão deliberada de informações. A proposta também preserva o direito dos transportadores de cobrar diferenças de frete e indenizações previstas em lei. Já os valores de multas pagas antes da publicação da futura lei não serão devolvidos.  

Além das anistias, a proposta reúne uma série de mudanças para o transporte rodoviário de cargas, como alterações nas regras de fiscalização do setor e novas exigências para transportadores.

Frete mínimo  

O projeto altera as regras de cálculo dos pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas. A tabela deverá considerar os custos operacionais da atividade, como combustível, manutenção, pneus, seguros, tributos, salários e tempo de carga e descarga.  

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) poderá firmar parceria com a Infra S.A. para elaborar os cálculos dos pisos. O texto também atualiza conceitos da legislação e cria a definição de veículo de carga de pequeno porte, com capacidade útil superior a 500 quilos e peso bruto total de até 3,5 toneladas; e de carga a granel pressurizada, categoria utilizada para determinados tipos de transporte especializado.  

A atualização da tabela de frete deverá ser semestral. Quando houver variação igual ou superior a 5% no preço dos combustíveis, a ANTT deverá publicar os novos valores em até três dias úteis.  

Regras de fiscalização

O texto aprovado também altera regras de fiscalização, cadastro e penalidades no transporte de cargas. Empresas que pagarem frete abaixo do piso mínimo poderão ter o registro suspenso em caso de descumprimento reiterado, com mais de quatro infrações em seis meses.

As multas para reincidentes poderão variar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão e, em caso de nova reincidência, poderão ser aplicadas em dobro. Nos casos mais graves, o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) poderá ser cancelado por até 24 meses.

A proposta mantém a obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), estabelece prazo de até 30 dias úteis para pagamento do frete e prevê adiantamento mínimo de 70% para transportadores autônomos.

O texto também determina a revalidação anual do RNTRC e permite que inscrição, atualização e manutenção do cadastro sejam feitas gratuitamente por plataforma digital do governo federal.

A medida também altera as regras de fiscalização do peso dos veículos de carga. Para caminhões com peso bruto total regulamentar de até 74 toneladas, a verificação deverá considerar inicialmente apenas o peso total do veículo.

A medição por eixo será feita quando houver excesso acima da tolerância de 5% no peso bruto total ou em situações específicas definidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). O limite de tolerância para o peso por eixo permanece em 12,5% acima do permitido.

Segundo o texto, a regra busca adequar a verificação às características das operações de transporte, preservando a segurança nas rodovias e a conservação do pavimento. A proposta também prevê inspeções periódicas dos registradores de velocidade e tempo e permite o uso dos dados do tacógrafo como prova de infrações por excesso de velocidade.

O projeto ainda transforma em advertência as infrações administrativas relacionadas ao excesso de peso por eixo cometidas até a publicação da futura lei. A medida alcança processos em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas aplicadas que ainda não tenham sido pagas. Valores já quitados não serão devolvidos.

O post Senado aprova MP do frete sem o piso salarial de R$ 5 mil dos caminhoneiros apareceu primeiro em Canal Rural.



Source link

Assine nossa Newsletter

Sinta-se no campo com as notícias mais atualizadas sobre o universo do agronegócio.

Sem spam, você pode cancelar a qualquer momento.


Notícias Relacionadas

Cobrança da nova modalidade de contribuição ao Fundesa-RS é adiada

Foto: Divulgação O Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul (Fundesa-RS) informa que o início da arrecadação de taxas sobre a existência de animais conforme a Declaração Anual de Rebanho, programado para esta quarta-feira (15), foi adiado. A medida decorre de instabilidades técnicas identificadas no novo sistema de emissão de boletos, que impedem, neste momento, a operacionalização eficiente do recolhimento junto aos contribuintes. A equipe técnica do Fundo e os responsáveis pelo processamento dos dados informados pela Secretaria da Agricultura trabalham em regime de prioridade para sanar as inconsistências e garantir a plena funcionalidade do sistema. “O objetivo é assegurar

Abrava pede fim de paralisações após aprovação da MP do frete

O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, pediu nesta terça-feira (14) a desmobilização dos movimentos de paralisação de caminhoneiros após a aprovação da Medida Provisória (MP) 1.343/2026 pelo Congresso Nacional. Em manifestação divulgada após a votação, ele afirmou que a categoria deve encerrar os protestos e concentrar esforços na aplicação das medidas previstas no texto. Segundo Landim, conhecido como Chorão, a aprovação da MP representa um avanço para a categoria e traz mais segurança aos caminhoneiros, especialmente aos profissionais que atuam no Porto de Santos. Na declaração, ele defendeu a atuação conjunta da categoria com a Agência Nacional de

Senado adia para agosto votação do Profert

O Senado adiou para a primeira semana de agosto a votação do projeto de lei que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert). A decisão foi tomada nesta terça-feira (14), após o autor da proposta, senador Laércio Oliveira (PP-SE), pedir mais tempo para discutir pontos do texto em tramitação na Casa. Durante a sessão, Laércio Oliveira criticou a condução das articulações em torno do projeto pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti. No plenário, o senador afirmou que o ministro deixou uma reunião marcada para discutir o tema em razão de divergências sobre a proposta. "Um senador da República não merece

Arroba do boi gordo reage e tem elevação nas principais praças de comercialização

Imagem gerada por IA O mercado físico do boi gordo apresentou algumas negociações acima da referência média em meio ao encurtamento das escalas de abate ao longo desta terça-feira (14). Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a oferta de animais terminados tem se mostrado restrita neste momento, fazendo com que as negociações estejam pouco fluídas no decorrer da primeira quinzena do mês. “O ritmo de embarques permanece satisfatório neste momento. Apesar de um menor ritmo diário em julho, a quantidade embarcada segue em níveis historicamente elevados, sintoma de que o Brasil está conseguindo diversificar seus mercados. A expectativa é que

CCJ aprova projetos com datas para amendoim e sorgo e título para banana

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (14), uma série de propostas que criam datas comemorativas e homenageiam cidades, eventos e figuras históricas. Entre os textos, estão projetos ligados ao setor produtivo, como a criação do Dia Nacional do Amendoim, do Dia Nacional do Sorgo e o reconhecimento de Corupá, em Santa Catarina, como Capital Nacional da Banana. Segundo a Câmara dos Deputados, todas as propostas tramitaram em caráter conclusivo e seguem para o Senado Federal, a menos que haja recurso para análise pelo Plenário. No conjunto aprovado pela CCJ, o Projeto de Lei 4155/24

Senado aprova MP do frete e texto vai à sanção

O plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (14), em votação simbólica, o projeto de lei de conversão da Medida Provisória (MP) 1.343/2026, que torna obrigatório o cadastramento das operações de transporte rodoviário de cargas e amplia os mecanismos de fiscalização do piso mínimo do frete. O texto, com mudanças pontuais em relação ao aprovado pela Câmara, segue agora para sanção presidencial. A medida provisória perde validade na quinta-feira (16). Entre as articulações no Senado, foi retirado do projeto o trecho que fixava em R$ 5 mil o piso salarial para motoristas profissionais de transporte rodoviário de longas distâncias. A supressão integrou um acordo entre governo

Especialistas defendem previsibilidade orçamentária na reforma do Seguro Rural

O Projeto de Lei 2.951/2024, que reformula o Seguro Rural no Brasil, está na fase final de tramitação e pode ser votado pelo Senado Federal na primeira semana de agosto. Especialistas avaliam que a aprovação do texto precisa vir acompanhada de previsibilidade orçamentária, integração das políticas de gestão de riscos e desenvolvimento de produtos adaptados às diferentes realidades da agropecuária brasileira. Durante o evento “O Seguro Rural que o Brasil precisa”, realizado nesta terça-feira (14), em Brasília, o Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) apresentou uma proposta de estruturação do Seguro Rural em quatro camadas. Segundo o coordenador do Observatório

CNA defende avanço do PL 2951 em debate sobre seguro rural

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou, nesta terça-feira (14), em Brasília, do evento “O seguro rural que o Brasil precisa”, voltado à discussão sobre gestão de risco no campo e aprimoramento da proteção aos produtores rurais. No debate, a entidade reforçou a defesa da aprovação do Projeto de Lei 2951, apresentado pela senadora Tereza Cristina (MS), como medida para fortalecer o instrumento. Promovido pela Meridiana, pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e pelo Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), o encontro reuniu especialistas, autoridades e parlamentares. O diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, participou do painel

PF indicia ex-presidente do INSS e ex-dirigentes em investigação sobre descontos indevidos

A Polícia Federal (PF) concluiu um dos inquéritos da Operação Sem Desconto e indiciou o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Antônio Stefanutto, o ex-procurador-geral da autarquia, Virgílio Antônio Ribeiro Filho, e o ex-diretor de benefícios André Fidelis por suspeita de corrupção e outros crimes ligados a descontos indevidos em aposentadorias. O relatório foi enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça nesta terça-feira (14). Segundo a PF, este é o primeiro relatório final da operação. Ao todo, 48 pessoas foram indiciadas por crimes relacionados a descontos indevidos em benefícios previdenciários. A investigação foi aberta em abril do ano passado

ICL cobra votação de projeto que amplia rastreamento no mercado de combustíveis

O Instituto Combustível Legal (ICL) cobrou nesta terça-feira (14) a votação do PLP 109/2025, que autoriza a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a acessar dados de documentos fiscais e de transporte para rastrear volumes comprados, transportados e vendidos, observadas regras de sigilo. A entidade também defendeu a aprovação do relatório ao PL 1.482/2019, voltado ao aumento de penas para crimes no setor. Segundo o ICL, o PLP 109/2025 reforça a capacidade de monitoramento da ANP sobre a circulação de combustíveis ao permitir o cruzamento de informações fiscais e logísticas. Na avaliação da entidade, a medida fortalece a inteligência regulatória para identificar