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Desertificação e clima extremo pressionam pastores nômades na Mongólia

Desertificação e clima extremo pressionam pastores nômades na Mongólia


A desertificação, a degradação das pastagens e os eventos climáticos extremos têm ampliado a pressão sobre comunidades nômades da Mongólia, onde a criação de animais depende diretamente da disponibilidade de água, da cobertura vegetal e do equilíbrio dos ecossistemas. Segundo a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), entre 70% e 76% do território mongol sofre com desertificação e degradação do solo, o equivalente a cerca de 36 milhões de hectares.

Nas estepes do país, os impactos aparecem de forma direta na pecuária. O nômade Batchuluun Maamun, de 57 anos, relata que secas recentes reduziram a vegetação e expuseram ovelhas, cabras, cavalos e bois ao calor. Em 2010, um inverno extremo conhecido como dzud matou 700 dos 1,3 mil animais da família. No dzud de 2020, a perda chegou a 20% do rebanho.

A família vive na zona de amortecimento do Parque Nacional de Hustai, a cerca de 100 km a sudoeste de Ulaanbaatar, em uma comunidade de pastores que adapta os deslocamentos às estações do ano. Há 27 anos, o grupo migrou cerca de mil quilômetros em busca de melhores condições.

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A pressão sobre o território também está ligada ao tamanho do rebanho nacional. Segundo balanço oficial do governo, a Mongólia tinha cerca de 58 milhões de animais em 2025, alta de 0,8% sobre 2024. Antes do dzud de 2023, esse total chegou a 71 milhões. No país, 700 mil pessoas, ou 30% da população de 3,4 milhões, são nômades ou seminômades.

Como resposta à degradação do solo, famílias da região passaram a retirar animais de determinadas áreas por períodos prolongados para permitir a recuperação da vegetação. Em um dos locais usados pela comunidade de Batchuluun, o retorno ocorreu depois de dois anos, quando o pasto voltou a crescer. Parte dos criadores também passou a buscar animais mais produtivos e a diversificar a renda com leite, carne, lã e outros produtos.

A expectativa das comunidades é que a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbaatar, avance em soluções para seca, sobrepastoreio e recuperação da terra. Para os pastores, a continuidade do nomadismo depende da combinação entre conhecimento tradicional, manejo mais equilibrado das pastagens e adaptação às mudanças nas condições climáticas.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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