Enquanto famílias e empresas cortam custos para sobreviver à inflação, Brasília opera sob uma lógica de imunidade fiscal absoluta. Gasta-se mais, a máquina pública cresce e a conta explode sobre quem não decidiu: o contribuinte brasileiro.
Buffett sugeriu que, nos Estados Unidos, o déficit seria resolvido em “cinco minutos” se os parlamentares americanos perdessem o direito de reeleição sempre que o rombo ultrapassasse um determinado limite.
Déficits persistentes decorrem da ausência de punição para quem produz desequilíbrios. Sem consequência, não existe responsabilidade.
O fim da criatividade política
No Brasil, a lógica é invertida. Quanto maior o desequilíbrio, maior a criatividade política para empurrar o problema adiante.
É hora de discutir mecanismos institucionais de responsabilização direta, adaptando essa lógica americana à nossa realidade.
Punição imediata para os culpados
A regra poderia ser objetiva: se o déficit ultrapassa um limite razoável, a ser fixado, do PIB (salvo calamidades), haveria consequências automáticas.
O Congresso ficaria impedido de disputar a eleição subsequente e o Executivo sofreria limitações severas de despesas.
Parece radical? Radical é o modelo atual, que naturaliza a dívida crescente enquanto vende a fantasia de benefícios sem custo.
A política brasileira trata o orçamento como peça de ficção: projeta-se arrecadação otimista e, quando a matemática impõe sua dureza, recorre-se ao aumento de impostos ou juros.
O cálculo político hoje é perverso: o benefício de gastar é imediato; o custo aparece anos depois, atribuído a abstrações convenientes.
Governos e parlamentos só mudarão quando houver risco político concreto associado ao desequilíbrio das contas públicas.
A hora do povo decidir
É uma distorção republicana que o cidadão responde por seus erros financeiros enquanto gestores de déficits bilionários seguem blindados.
Se a proposta parece dura, que o tema seja submetido a plebiscito.
Se o cidadão comum paga por seus erros, por que a classe política brasileira segue impune diante dos seus?

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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