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Custeio de 3% para genética leiteira do Plano Safra agrada, mas entraves preocupam

Custeio de 3% para genética leiteira do Plano Safra agrada, mas entraves preocupam


O Plano Safra 25/26 da Agricultura Familiar passa a incluir uma linha de crédito do Pronaf para a transferência de embriões. Com isso, a ideia é melhorar a genética dos rebanhos leiteiros nas pequenas propriedades do país.

O produtor poderá acessar o custeio de sua produção com juros de 3% ao ano, medida importante, também, para a segurança alimentar do país. Isso porque, de acordo com a Embrapa Gado de Leite, a cada três litros de leite produzidos, dois são originários de propriedades da agricultura familiar. E esse é, exatamente, o perfil do pecuarista do Rio Grande do Sul.

Para a Associação de Criadores de Gado Holandês (Gadolando), o recurso é bem-vindo, mas o produtor precisa de menos burocracia para acessar o crédito diante do endividamento por conta de perdas de safra causadas por adversidades climáticas em cinco anos seguidos.

“Se vê coisa positiva quando tentam ajudar, mas nós queremos saber o que realmente é efetivado. O que está acontecendo com nosso produtor hoje é que ele está negociando com instituições financeiras. O que a gente quer saber é o que vai se efetivar da porteira para dentro, [o que será] desburocratizado, com esses juros bons anunciados pelo governo”, ressalta o presidente da entidade Marcos Tang.

A Associação também entende que será fundamental uma assistência técnica para ajudar o produtor no desenvolvimento do projeto, além da seleção dos animais mais eficientes e a condução correta de nutrição, gestão e manejo.

“Vale a pena multiplicar animais que tenham registro genealógico, controle leiteiro oficial, analise morfológica e genes superiores a seus pares porque, do contrário, é um dinheiro mal empregado. Se vamos empregar dinheiro nisso, então tem que ser algo muito bem estudado […]”, completa Tang.

Abandono da atividade leiteira

O Rio Grande do Sul caiu de terceiro para quarto maior produtor nacional de leite. Nos últimos oito anos, estima-se que cerca de 50 mil produtores tenham abandonado a atividade no estado. Após as enchentes, espera-se que esse número aumente, visto que muitas propriedades foram destruídas e não voltaram a produzir.

A Associação de Pequenas e Médias Indústrias de Leite (Apil), que engloba 45 estabelecimentos de produção de derivados, entregou um documento ao governador do estado, Eduardo leite, pedindo medidas urgentes, já que essas indústrias estão operando com 36% de ociosidade.

As solicitações da entidade são as seguintes:

  • A criação de um Programa de Incentivo à Produção Leiteira, com crédito acessível e juros compatíveis com a realidade do produtor rural;
  • A constituição de um Fundo Permanente de Desenvolvimento do Produtor de Leite, que possa subsidiar financiamentos voltados à modernização das propriedades, aquisição de tecnologias e mecanização das atividades;
  • A destinação de parte dos recursos atualmente alocados em programas como o de Recuperação de Solos para o incentivo direto à produção leiteira, por meio de investimentos mais eficazes e produtivos.

“Temos um número de que a cada R$ 1 investido na produção de leite, retorna para a economia R$ 3,40, ou seja, 340%. A gente tentou mostrar para o governo do estado a importância de se investir nesse setor. E as políticas devem ser de estado e não de governo, perenes, que venham gradativamente incentivando o produtor de leite, porque ele é a fonte da matéria-prima que a gente precisa”, diz o presidente da Apil, Humberto Brustolin.



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