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Lucratividade na pecuária com o tricross: descubra as raças tropicais ideais

Lucratividade na pecuária com o tricross: descubra as raças tropicais ideais


Pecuaristas, a busca por maior lucratividade na pecuária brasileira, especialmente em nosso clima tropical, tem levado muitos a explorar o potencial do gado tricross. Assista ao vídeo e confira a resposta completa.

Mas, em meio a tantas opções, quais são as combinações genéticas que realmente trazem resultado, evitando problemas de adaptação e de parto, que podem comprometer a rentabilidade?

Nesta terça-feira (28), o zootecnista Alexandre Zadra, especialista em genética e cruzamento industrial de bovinos e autor do blog “Crossbreeding”, respondeu a essa dúvida frequente no quadro “Giro do Boi Responde”.

Ele detalhou como criar fêmeas tricross verdadeiramente tropicalizadas que prosperam sob o calor e a umidade característicos do Brasil.

Fêmeas tricross para climas tropicais: a regra do “pelo zero”

Bovinos em área de pasto. Foto: Reprodução

Para que uma fêmea tricross tenha boa longevidade e desempenho em pastos tropicais, ela precisa, antes de tudo, ser tropicalizada.

Isso significa, em resumo, que ela deve apresentar as características de pelo curto, liso e brilhante, que conferem uma melhor termorregulação e, consequentemente, maior conforto e produtividade em climas quentes.

A regra é clara e fundamental para o sucesso: fêmeas tropicais devem ter, no máximo, meio-sangue de raças do frio (europeias) em sua composição genética.

Se o pecuarista já possui uma fêmea meio-sangue europeia (como angus x nelore, hereford x nelore, ou simental x nelore), o próximo cruzamento deve ser realizado com uma raça tropical.

O resultado desse acasalamento será um animal final com 75% de sangue tropical, ideal para as condições brasileiras.

Raças tropicais para o cruzamento em tricross

Bovinos em área de pasto. Foto: Reprodução
Bovinos em área de pasto. Foto: Reprodução

Para dar continuidade a um sistema que aproveita a fêmea filha da meio-sangue e garante sua adaptabilidade, Alexandre Zadra recomenda as seguintes raças tropicais para o cruzamento tricross:

  • Zebuíno: É uma escolha sólida e amplamente utilizada. Contudo, há uma ressalva crucial: utilize touros zebuínos negativos para peso ao nascimento (aqueles que produzem bezerros leves). Isso é vital para evitar distocias (problemas de parto) nas fêmeas meio-sangue, que não possuem cupim e podem ter dificuldade com bezerros zebuínos que, naturalmente, tendem a ser mais pesados ao nascer.
  • Caracu ou senepol: Essas raças taurinas adaptadas ao calor são excelentes opções para o cruzamento. Ao utilizá-las com a fêmea meio-sangue europeia, o resultado será um animal 3/4 tropical, com o desejado “pelo zero” e muito boas características como matrizes. O senepol é de pequeno porte, enquanto o caracu é de maior porte, permitindo ao produtor escolher conforme seus objetivos.

Outras opções e o critério de seleção

Outras raças também estão evoluindo em sua capacidade de adaptabilidade aos trópicos, como o bonsmara e o canchim.

No entanto, o canchim, por ser formado com charolês, é mais indicado para um cruzamento terminal, visando o abate, e não necessariamente a formação de fêmeas de reposição para o clima tropical.

O brangus também tem rebanhos que demonstram melhoria em sua adaptabilidade, e fêmeas com pelo curto podem ser selecionadas para uso no Brasil tropical.

A mensagem principal para o pecuarista é que, para qualquer fêmea ser selecionada como uma boa reprodutora em ambientes quentes e úmidos, ela deve, obrigatoriamente, apresentar as características de pelo curto, liso e brilhante.

Essa característica é a base para o sucesso do gado tricross no Brasil, garantindo que as fêmeas consigam se manter produtivas e lucrativas mesmo sob as condições desafiadoras do nosso clima tropical.



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