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Lula pede ação global contra desigualdade e volta a defender taxação de super-ricos

Lula pede ação global contra desigualdade e volta a defender taxação de super-ricos


O presidente Lula aproveitou a tribuna da abertura da Cúpula de Líderes do G20, na África do Sul, para lançar um alerta sobre a desigualdade global e a urgência de redesenhar regras e instituições que sustentam essa assimetria. Em sua fala neste sábado (22), Lula defendeu o fortalecimento do G20 como fórum de diálogo e criticou a volta de políticas protecionistas e unilaterais.

O líder brasileiro propôs em Joanesburgo mecanismos inovadores, como a troca de dívida por desenvolvimento e ação climática e a taxação dos super-ricos.

“Está na hora de declarar a desigualdade uma emergência global. O G20 deve incentivar a adoção de mecanismos inovadores de troca de dívida por desenvolvimento e por ação climática. O debate sobre tributação internacional e taxação dos super-ricos é inadiável”, afirmou

Lula enfatizou que há uma complementaridade importante entre a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, lançada durante a presidência brasileira do G20 no ano passado, e a iniciativa sul-africana sobre dimensões macroeconômicas da segurança alimentar e dos preços de alimentos.

O presidente apoiou a proposta da África do Sul de instituir um Painel Independente sobre Desigualdade, nos moldes do painel dedicado às mudanças climáticas.

Lula lembrou, contudo, que sem financiamento a Agenda 2030 não passará de declaração de boas intenções. O plano de ação da ONU adotado em 2015 estabelece 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas a serem alcançadas até 2030. O objetivo principal é erradicar a pobreza e promover dignidade a todos, ao mesmo tempo em que se protege o planeta para futuras gerações. 

Nesse contexto, Lula criticou o gasto crescente de potências internacionais com armamentos e as consequências humanas, energéticas e alimentares de conflitos bélicos como os na Ucrânia, em Gaza e no Sudão. Reforçou, ainda, que a questão da dívida de países do Sul Global é “eticamente inaceitável e economicamente insustentável”. 

“No ano passado, a economia mundial cresceu mais de 3%. Os gastos com armamentos aumentaram 9,4%. Mas a ajuda oficial ao desenvolvimento caiu 7%. A conta é simples: existe um fluxo de capital negativo, que vai dos países do Sul para os países ricos do Norte global. Quase metade da população mundial vive em países que gastam mais com o serviço da dívida do que em saúde ou educação”, lembrou o presidente.



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